O EMBUSTE JUDAICO – UMA LENDA, UM SONHO… TRANSFORMA-SE NUM PESADELO – 1 – por Carlos Loures

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Tenho aqui abordado o tema da injustiça que representa o facto de, com base em lendas e textos de duvidosa consistência científica, se ter criado um estado num território que tinha donos. E, numa dessas incursões neste caso, comparava a lenda de Israel, às pretensões que alguns islamistas mantêm quanto ao Al-Andalus – a Península Ibérica. São pretensões sem qualquer sentido, mas que se baseiam em factos históricos – os muçulmanos ocuparam a Península durante séculos. Invadiram-na e colonizaram-na, deixando os povos cristãos que a habitavam prosseguir as suas vidas, pagando um tributo. Essa circunstância não lhes confere qualquer direito. Pois a criação do Estado de Israel constitui um absurdo maior do que o regresso da Península Ibérica ao domínio islâmico. Porque, no caso dos islâmicos, o regresso à Península seria tão lógico como voltar o Brasil a ser colónia portuguesa (um disparate); no caso de Israel, seria como os pigmeus, considerando-se os legítimos liliputianos ocupassem as ilhas Seychelles,  reivindicando ser ali Liliput, a sua pátria ancestral. A pátria ancestral dos árabes é a Arábia. A pátria ancestral dos judeus não existe. Os judeus são uma invenção. Um povo inventado não tem pátria ancestral. Onde fica a pátria da Cinderela?

Um excelente artigo de Miguel Urbano Rodrigues sobre o livro Como foi inventado o povo judeu, Shlomo Sand , vem repor na ordem do dia  um tema que tem sido abordado em registos que percorrem toda a paleta cromática das opiniões, das posições ideológicas, das crenças religiosas. Não transcrevemos o texto de Miguel Urbano Rodrigues, pois para tal teríamos de ter obtido a sua aquiescência – o que teríamos tentado não fora a disseminação desse trabalho por dezenas de blogues, pelo que o acesso ao artigo é fácil. Far-lhe-emos referência, pois trata-se de uma peça de grande valor informativo.

O livro de Sand, foi originalmente editado em hebraico Matai ve’eich humtsa ha‘am hayehudi? (Quando e como foi o povo judeu inventado?). Foi em 2008 e a edição valeu ao autor insultos e ameaças. A primeira edição estrangeira foi a francesa, ainda em 2008, – Comment le peuple juif fut inventé, esteve 19 semanas na lista dos mais vendidos Em 2009, saiu a edição em inglês The Invention of the Jewish People. Em 2010, as edições em russo, alemão e húngaro. Em 2011 a edição polaca e em 2012, a grega. A fama do livro cresceu, alastrou, e a sua argumentação sólida não pode ser facilmente contestada.

Há uns meses atrás publiquei aqui um artigo onde salientava a isenção política, a honestidade científica, com que alguns judeus analisavam a questão da Palestina. E referia duas dessas tais vozes vindas do lado hebraico e de dois livros, um que a professora israelita Idith Zertal (1944), professora de História e Filosofia Política na Universidade de Basileia, nascida antes da fundação do Estado num kibutz de Ein Shemer, ficou entusiasmada por finalmente ver traduzido em hebraico – a obra de Hannah Arendt (1906-1975) «Origens do Totalitarismo» – e outro, um ensaio da própria professora Idith Zertal – «A Nação e a Morte», Li-o na tradução em castelhano. com o título
La nación y la muerte. La Shoah en el discurso y la política de Israel – shoah é palavra hebraica para Holocausto. Idith Zertal, ao referir-se à ocupação  dos territórios palestinianos, diz:. «Governar outro povo de uma maneira tão brutal é devastador também para nós». E condena o recorrente argumento do Holocausto como explicação e justificação para tudo, inclusive para o facto, de usarem sobre outros uma violência brutal, assumindo apesar disso o papel de eternas vítimas. O Holocausto não foi uma mentira; foi um crime odioso. Porém, foram os nazis e não a Humanidade no seu conjunto quem cometeu esse crime. Israel procede como se a shoah lhes tivesse aberto um crédito ilimitado e que lhes permite cometer, por seu turno, crimes odiosos. Os seis milhões de pessoas que morreram sob a acusação de ser judeus, eram na verdade alemães, russos, húngaros, polacos, que professavam a religião judaica. Morreram por pertencer a uma etnia que não existe e em nome de uma história que a ciência histórica desmente.

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