CALVÁRIO – por Fernando Correia da Silva

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O padre António Vieira, pregador famoso, tenta dourar a mansidão, sermão ao povo negro:

– Oh se a gente preta tirada das brenhas da sua Etiópia, e passada ao Brasil, conhecera bem quanto deve a Deus, e à sua Santíssima Mãe por este que pode parecer desterro, cativeiro e desgraça, e não é senão milagre, o grande milagre!

António Vieira fala depois do Coré, que quer dizer Calvário:

– Declara David, no título do último salmo, quem sejam os operários destas trabalhosas oficinas, e diz que são os filhos de Coré: Pro torcularibus fillis Core. Não há trabalho, nem género de vida no mundo mais parecido à cruz e paixão de Cristo, que o vosso em um destes engenhos.

Remata:

– Bem aventurados vós se soubéreis conhecer a fortuna do vosso estado, que é um grande milagre da Providência e Misericórdia Divina.

  – Estás a ouvir, Lianor? O Padre Vieira, que é um dos mais louvados mestres da nossa língua, lembra-se muito bem dos Evangelhos, invoca e enaltece o oferece a outra face. Esqueceu-se foi do ama o próximo como a ti mesmo. Coisas de padre, tão balalão, Senhor Capitão.

in Lianor

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