Pentacórdio para Quinta 10 de Janeiro

por Rui Oliveira

 

m-show 

   Na Quinta-feira 10 de Janeiro o relevo deve ser dado à actividade teatral que recomeça. Assim na Sala Estúdio do Teatro Nacional DªMaria II, às 21h15, estreia “M-Show” com texto e encenação de Marcantonio Del Carlo e dramaturgia de Marta Nunes, interpretado por Marcantonio Del Carlo e Marta Nunes.

m_show   A cenografia é de Eurico Lopes, os figurinos de Dino Alves e a música original de Cristovão Campos. Permanecerá em palco até 3 de Fevereiro.

   A peça interroga-nos : Onde termina então a realidade e começa a ficção? Seremos capazes de discernir a fronteira que nos separa do imaginário mediático ou já fazemos também parte deste universo ficcional? Pois o tema, sinopticamente, é o seguinte :

   “ Sebastião M, 35 anos, é apresentador de um programa radical que, à meia-noite, é sintonizado por mais de um milhão de espectadores: o M-Show! A irreverência e a bizarria são trunfos de um talk-show onde os convidados são enxovalhados sem piedade. Inesperadamente, apenas um foco de luz ilumina o rosto de Sebastião M, enquanto o resto do palco mergulha na penumbra. Nesse momento, sussurra para o público, confessando os seus pensamentos mais íntimos. Como se alguém tivesse feito uma pausa com o telecomando, percebe-se que Sebastião M não é a figura bizarra que todos acreditavam ser”.

 

 

 

raquel castro   Entretanto, também na Quinta-feira 10 de Janeiro, estreia na Sala Principal (com bancada) do Maria Matos Teatro Municipal, às 21h30, a peça “Os Dias São Connosco” de Raquel Castro que ali permanecerá até 16 de Janeiro.

   Quando a sua filha nasceu, Raquel Castro iniciara um diário em vídeo de 365 dias para poder mostrar-lhe, mais tarde, o seu primeiro ano de vida. Inspirada por esse registo privado e documental, e após ter participado no Laboratório de criação – Biografia em 2011 no Maria Matos TM, decidiu criar um espectáculo, uma carta-vídeo de uma mãe para uma filha que é também um retrato de uma os dias são connoscopessoa e do mundo que a rodeia, feito ao vivo para ser visto no futuro.

   Diz a autora no espectáculo : “Quase sempre aquilo que parecia ter sido um dia igual aos outros acabava por me surpreender, porque ao reviver o filme em câmara lenta no final de cada dia, dava por mim a relembrar coisas, situações, imagens, pessoas ou palavrasbque tinha ouvido ou dito, das quais dificilmente me tronaria a lembrar. Foi importante perceber que a vida está cheia de presente, de um presente que não podemos abarcar na totalidade. A sensação era de que afinal tinha vivido muito mais do que aquilo que julgava….”.

   A interpretação é da própria, com apoio à dramaturgia de Pedro Gil e vídeo de João Gambino.

 

 

 

rui horta   Igualmente a 10 de Janeiro (Quinta-feira), às 21h, na Sala Principal do São Luiz Teatro Municipal é reproduzida a performance de dança estreada em “Guimarães/Capital Europeia da Cultura 2012” intitulada “Estado de Excepção” do coreógrafo Rui Horta, que ali se apresentará até Domingo 13 de Janeiro às 17h30.

   A direcção artística, espaço cénico e desenho de luz são de Rui Horta, cabendo a interpretação a Anton Skrzypiciel, Miguel Borges, Pedro Gil e Teresa Alves da Silva. O vídeo é de Francisco Venâncio e a música original é interpretada ao vivo por David Santos (Noiserv).

estado de excepção 0   A sinopse revelada é : “ O mundo deu uma volta sobre si próprio e nada será como dantes. Girou depressa demais e agora estamos a tentar processar o passado para podermos repensar o futuro. Andamos sobre vidros?  Nunca deixámos de andar sobre vidros, só que agora estamos descalços.  A crise sempre foi um ruído de fundo por trás das nossas vidas, sempre houve momentos de recolher obrigatório”.

   Para Rui Horta, criador do bailado : «Estado de Excepção» é o fracasso olhado como sucesso, é a poética do fracasso que sublima a crise e se entrega à rebelião e à luta. É o naufrágio com a terra à vista, já com destino anunciado. O erro é profundamente teatral, é coreográfico. Comecemos o espectáculo com um grito. A violência da perda é o que nos faz avançar.Terminá-lo-emos quando o conseguirmos transformar em canção.

   Este é o vídeo dos seus ensaios a quando da apresentação em Guimarães/Capital Europeia da Cultura 2012 :

 

 

 

SolistasMetropolitana 

   No campo musical, há nova (e meritória) “saída” dos Solistas da Metropolitana por vários palcos, sempre com o habitual acesso livre.

   Assim, nesta Quinta-feira 10 de Janeiro, haverá concerto às 18h30 na Sociedade Portuguesa de Autores, pelo Duo Contrasti composto por Diana Tzonkova violino e Ercole de Conca contrabaixo que irão interpretar :

    Reinhold GlièreSuite para Violino e Contrabaixo

    Daniele FurlanTrivium

    Virgilio MortariDuetos Concertantes

    Gioachino RossiniDueto para Violino e Contrabaixo

 

   Mais tarde, às 19h, no El Corte Inglés (Lisboa), num concerto comentado por Alexandre Delgado, dedicado aos Concertos de Brandenburgo, o naipe de Solistas da Metropolitana que engloba  Janete Santos flauta, Sally Dean oboé, Sérgio Charrinho trompete, Ana Pereira violino, Liviu Scripcaru violino, Elena Komissarova violino, Irma Skenderi viola, Paulo Gaio Lima violoncelo e Marcos Magalhães cravo tocará :

    Johann Sebastian BachConcerto Brandeburguês n.º 2 em Fá maior, BWV 1047

    Johann Sebastian BachConcerto Brandeburguês n.º 5 em Ré maior, BWV 1050

 

   De manhã, às 13h, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, um Trio de Flauta, Violoncelo e Piano composto por Nuno Inácio flauta, Ana Cláudia Serrão violoncelo e Anna Tomasik piano preencherão um programa com :

    Joseph HaydnTrio n.º 16 em Ré maior, Hob.XV:16

    Philippe GaubertTrês aguarelas

    Bohuslav MartinůTrio H. 300

 

   Este concerto será repetido na Sexta 11, às 19h, no Liceu de Camões (como Concerto Aberto Antena 2, comentado por André Cunha Leal).

 

 

Sei-Miguel   Quanto à música dita não-clássica, quem se desloque na Quinta-feira 10 de Janeiro  à Galeria Zé dos Bois (ZDB) ouvirá a Sei Miguel Unit Core, pequena formação composta por Sei Miguel  trompete (alem de escrita e direcção), Fala Mariam trombonePedro Gomes  guitarra e César Burago  percussão, que ali esteve em residência durante um ano, exibindo-se mensalmente.

   A ZDB descreve-a como : “ Formação essencial para a evolução rigorosa dos dialectos do Jazz, a Unit Core potencia a escrita mais personalizada e detalhada de Sei Miguel. Esta é a sua música mais exigente, com a primazia da frase e do silêncio sobre a forma.”

   Este é o seu som em “Breaker” de há já dois anos :

 

 

 

bica240   Ainda no jazz, os aficionados que se dirijam ao Hot Clube ouvirão às 23h desta Quinta-feira 10 de Janeiro (mas também na Sexta 11 e no Sábado 12) de novo o Trio Azul  do contrabaixista Carlos Bica (foto) que, com os seus companheiros de longa data Frank Möbus (guitarra) e Jim Black (bateria) retomarão os temas do seu quinto e último álbum “Things About”, porventura, segundo a crítica, o seu melhor.

   No Onda Jazz, às 22h30, repete-se o Piano-Batuque com a presença de Pablo Lapidusas ao piano e Joel Silva na bateria.

                                

   Deixamo-vos com um excerto do álbum de Carlos Bica :

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui)

 

 

 

 

 

 

 

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