EDITORIAL – ESPANHA EXISTE, MAS…

Imagem2A iniciativa de discutir o Estado espanhol, dedicando a esse debate toda a edição da passada quinta-feira, dia 10, foi um êxito, com os artigos a continuarem a ser comentados nos dias seguintes – conseguimos desencadear um verdadeiro debate, com opiniões divergentes e, como sempre acontece nos debates, com fugas temáticas para assuntos laterais – por exemplo, a propósito de um artigo em que se expõe a situação de colonialismo que o governo de Madrid exerce sobre as nacionalidades que o franquismo transformou em comunidades autónomas; a deslocação deu-se para um tema que pouco tem  a ver com a postura colonialista de Madrid – a nacionalidade de Cristóvão Colombo.

Porém, a questão das independências das nações subjugadas foi amplamente debatida. De salientar o elevado número de leituras que tivemos no Estado espanhol. Registe-se que acaba de chegar mais um depoimento.

Sabemos que a influência política de um debate como o nosso é insignificante e actua sobre um universo muito reduzido. Se, entre as muitas centenas de leituras dos vinte e cinco artigos publicados, algumas dezenas de pessoas ficaram com ideias mais claras sobre o que o Estado a que se chama Espanha é na realidade, o nosso objectivo terá sido alcançado.

Se quisermos definir em poucas palavras a conclusão a que se chegou. Diríamos, respondendo à pergunta “Espanha Existe” – Sim, Espanha existe, mas não como o centralismo de Madrid a quer impor. Muitos dos cidadãos do Estado espanhol não se consideram espanhóis. Outros, interpretam o nome como uma designação genérica, abrangente. Pensamos que este tema deve continuar a ser discutido e sê-lo-á. De segunda a sexta-feira, na nossa secção “Panínsula/Penintsula” o debate vai continuar. Tenhamos a força que tenhamos, não abdicamos de defender as causas em que acreditamos.

9 Comments

  1. 🙂 Se EspaÑa existe, então eu não existo… desisto! Se lhe chamásseis como é devido, pelo seu nome: Reino de EspaÑa, talvez entenderíeis que não é nem pode ser uma realidade. Mais bem é um conto de fadas.

    A vossa causa é que EspaÑa exista? Creio que há um erro de focagem fulcral aqui: Tanto tem que exista ou não, o caso é que há pessoas, comunidades inteiras que não se reconhecem nesse invento que, precisamente por se perceber como um invento desastrado e sem jeito, fracassou.

    O vosso invento parece melhor construído mas às vezes também se lhe veem as costuras… e @s galeg@s temos algo a dizer aí. 😉

  2. Isabel, os países são sempre a consequência de mitos, lendas – nenhuma nação existe sem essa carga mitológica que lhe vem do passado. Espanha, ao cabo de cinco séculos de efabulação, existe na mente dos que se consideram espanhóis. E a existência de Espanha não implica a não existência da Galiza. Se o Estado espanhol for forçado a devolver as soberanias que roubou – a Galiza, o País Basco, a Catalunha, se devolver Olivença a Portugal, Ceuta e Melilha a Marrocos, se depois de devolver o que roubou, os cidadãos dos territórios remanescentes quiserem que a sua nação se chame Espanha, onde é que isso nos afecta? A nossa causa consiste na defesa das independências e na restituição dos territórios roubados. O nosso invento é ´democraticamente construído de opiniões diversificadas. Só nos inventos monolíticos, colados por uma autoridade central, não se vêem as costuras. Não pensamos todos da mesma maneira – também há entre nós quem pense que Espanha deve ser desmantelada. Eu não penso assim – se devolbver o que usurpou que fiaue com as suas castanholas, com o seu flamenco, com os seus olés… que mal nos faz?

  3. É que partes de uma contradição: Se Espanha existe, como é ela? É como é? Pois partindo dessa base, de que o Reino da EspaÑa é o que é, e não há que lhe dar mais voltas, penso que o mais sensato é querer a sua dissolução.

    E sobre as vossas costuras, he he, não acredito nem meia palavra nessas boas intenções “democraticamente construído de opiniões diversificadas”, bom, diz isso às pessoas que se manifestam na rua e depois devem voltar para a… casa?

  4. Não me compete a mim responder como será Espanha depois de pagar as dívidas que contraiu com a História. Quem se considerar espanhol que responda. E se apenas os castelhanos quiserem ser espanhóis, eles que chamem ao seu estado aquilo que quiserem. È a minha opinião, não é a opinião do blogue, repito. Porque temos mesmo opiniões diferentes – há militantes do PCP, do BE e do PS. Há uma maioria de apartidários e esses cobrem um leque que vai da social-democracia ao anarquismo… Temos católicos (um sacerdote), agnósticos e ateus… Preciso de conmtinuar? Como queres que não haja costuras? Estamos de acordo em questões básicas e respeitamo-nos mutuamente. Imagina uma praça pública numa aldeia ou numa cidade. E aí monta-se uma feira em que cada um vende ou oferece o seu produto. Aí tens o nosso barco.

  5. Pois é, costuras há em toda a parte nesses estados chamados de “modernos” e que na resalidade são bárbaros e delinquentes. O crescimento desse Portugal sobre o esquecimento do seu passado galego é uma triste costura que eu, se mo permitis, ajudarei a coser ou a descoser…

  6. Caro Carlos, tenho deixado este comentário nos dous post que neste momento estão na capa arredor do tema Cristóvão Colom[bo]. Como em ambos lugares os meus comentários aguardam moderação e aqui parece que não, e como acho que seria muito bom que lesses e conhecesses a informação que lá aparece, deixo-os aqui por se tenho mais sorte desta vez:

    http://www.cristobal-colon.com/a-lingua-de-cristovao-colom-jose-martinho-montero-santalha/
    http://www.cristobal-colon.com/wp-content/uploads/LaVerdaderaCuna1.jpg

    1. Mas, nesse aspecto, não tem havido problema – quem, dentro do blogue, se manifesta sobre o tema da nossa ancestral galeguidade, aceita e defende esse pressuposto. Agora, é bom que os galegos não se queiram colocar numa posiçãao de irmãos mais velhos que podem dar carolos na cabeça dos mais novos – durante séculos, preservámos a língua comum, espalhámo-la pelo mundo. Não teremos feito tudo bem, mas podia ter sido pior. E não se culpe os portugueses pelo facto de a Galiza, que foi estado antes de nós o sermos, ter perdido a sua independência. Mas a tua ajuda na costura da unidade galego-portuguesa é muito bem-vinda.

    2. Vi agora, Isabel. Vou ler com atenção o trabalho do Professor Montero Santalha. Porém, como tenho dito, em tom ligeiro, mas correspondendo ao que penso, não faço da questão da nacionalidade de Colombo um finca-pé. Não acredito que fosse português e um grande investigador da História da Expansão Portuguesa, o Pofessor Luís de Albuquerque, apresentou argumentos convincentes sobre o tema. Tentarei, logo que disponha de tempo, resumir de forma clara a sua tese. Penso, ao contrário de ti e do meu querido amigo Leça da Veiga, que estas questões não podem ser apreciadas de uma perspectiva patriótica. Portugal ou Galiza, não ficarão maiores se Colombo tiver nascido num ou noutro país. Não insisto na boutade do «almirante falhado», mas, de facto, Portugal tem grandes navegadores que cheguem. Colombo nada acrescentaria à nossa glória.

  7. O objetivo dos estados, construídos sobre diversas nações ou etnias, também o do reino bubónico, é suprimir todas elas para inventar uma diferente. Porque nesse reino nem Castela é hoje Castela; foi e é simples pretexto da oligarquia dominante para se impor definitivamente sobre os súbditos.

    O estado “moderno”, mais do que o antiigo, apenas é capaz de matar, hoje já globalmente, “unioneuropeiamente”, mesmo os estado assente numa etnia relativamente homogénea como é a república portuguesa.

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