Pentacórdio para Terça 15 de Janeiro

por Rui Oliveira

 

 

 

   Nesta Terça-feira 15 de Janeiro são quase nulos os eventos culturais de mérito destinados a um público amplo, apenas há, aqui e ali, iniciativas sectoriais (de que mencionaremos algumas no final, se houver espaço). Aproveitaremos assim para, deixando as estreias cinematográficas para outro dia (e aqui há novidades…), lembrar algumas das exposições com interesse cujo encerramento se avizinha.

 

1 rui calçada bastos 08   Por ordem temporal, encerra no próximo Sábado 19 de Janeiro, a nova exposição individual do artista Rui Calçada Bastos na Galeria Vera Cortês (Av. 24 de Julho, nº 54 – 1º Esq.) que se intitula “The American Sunset” (aberta de 3ª a Sábado 14-19h).

2 Rui_Calcada_Bastos_preview - Copy   Reúne – diz a Galeria − trabalhos de Rui Calçada Bastos criados no âmbito da sua residência californiana na Villa Aurora e obras que agora se apresentam pela primeira vez. A partir de um universo visual que se inscreve numa clara alusão e tradição cinematográficas, o autor parte do contexto particular da cidade dos anjos (Los Angeles) para se situar num plano que remete para um profundo questionamento da actualidade.

   “No vídeo ‘If you’re going through hell, keep going‘, assistimos a um fluxo ininterrupto de carros que se vão ultrapassando numa proximidade alienante, sendo que a orquestração desse movimento mecânico é acompanhada por uma banda sonora onde se podem ouvir passagens, citações e frases de testemunhos avulsos de assassinos em série recolhidas por Patrick Findeis – colega de residência de Calçada Bastos”…

   … “Porque a experiência, para Calçada Bastos, erige-se a partir da limitação de um entendimento livre e esclarecido daquilo que nos rodeia. Esta é a conclusão a retirar da última imagem da exposição, um auto-retrato em que o artista se senta num banco a contemplar um pôr do sol (em baixo, ao centro). Nesta imagem irrompe um elemento disruptivo, pois o personagem está estranhamente envolto em arame farpado; paradoxo visual que se torna mais evidente pela presença no espaço da exposição do banco com o arame farpado. Sem tornar a sua proposta num comentário literal ao Zeitgeist contemporâneo, o artista prefere manter uma ambiguidade que deixa transparecer um pessimismo primordial. Olhar sem ver, experimentar sem sentir, vive-se aqui um estado de anestesia perceptiva, um hiato na compreensão do mundo. Por desistência própria ou por imposição exterior. À espera do fim de uma longa noite que se avizinha” – conclui o crítico Miguel von Haffe Perez .

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5a Galeria Graça Brandão

7 gonçalo pena   Das exposições votadas a fecho no outro Sábado 26 de Janeiro (e são algumas), a que se prolonga há mais tempo é Monkey Trip” de Gonçalo Pena na Galeria Graça Brandão (Rua dos Caetanos, n.º 26), de entrada livre, visitável  de 3ª a Sábado (11h-20h).

6 Goncalo_Pena   Esta primeira exposição, exclusivamente dedicada ao desenho de sua autoria, inclui cerca de 200 trabalhos, percorrendo duas décadas de actividade, onde os desenhos do artista espelham um mundo fantástico repleto de retorcidos super-heróis e arcaicos vilões, polémicas figuras políticas e outros ícones da história e da arte, de Marx a Robespierre ou mesmo Pacheco Pereira (!) numa irónica e pervertida visão da tradição (pictórica, social e política) eurocêntrica.

8 gonçalo pena “… Completamente autónomos e assumidamente efémeros, estes desenhos pertencem a vários tempos e a modos muito distintos de viver dentro do tempo através do desenho – da actualidade política à referencialidade histórica, tudo parece alimentá-los — estendendo-se do apontamento breve à imagem meditada. Na verdade, são uma forma de linguagem sem código estável ou estilo fechado ainda que uma sensibilidade crua, bárbara mesmo (que se manifesta nas coisas que chama à colação, como também no traço), os irmane a todos. O sexo, a política, a arte são uma constante nestes papéis, surgindo graficamente associados como parte de uma política alargada em que o individual e o colectivo, o pulsional e o ideológico se contaminam… Gonçalo Pena não é um “cartoonista” mas sim um mais complexo cronista visual da violência da história.”− diz o crítico Celso Martins (in Actual).

 

 

 

9 miguel branco10 Convite+digital   Outra com o mesmo prazo terminal é a exposição “Ar” de Miguel Branco, dividida em duas partes, com que a Galeria Belo Galsterer abre as suas portas na Rua Castilho, nº 71 r/c.    Dando continuidade ao seu trabalho anterior (“Deserto”, no Pavilhão Branco, Lisboa, em Outubro de 2011), a exposição desenvolve-se numa estreita relação com o espaço da galeria, no qual uma a uma tomam o seu lugar peças tridimensionais (objectos e figuras) e bidimensionais (impressões digitais). Uma narrativa abstracta compõe-se em cada uma das mostras parciais, não como um resultado directo do estilo das peças – que varia e as percorre sem se fixar em dados formais exactos -, mas em função dos contrastes e alianças entre materiais, dimensões, escalas, posicionamentos, tipos de presença, cromatismos, etc.

11 gbg   O tema geral da metamorfose e transformação (borboletas, ascetas, monges, objectos rituais…) transforma-se em método de trabalho, num construtivismo onde vêm encontrar-se o artefacto arqueológico, o exemplar de museu de História Natural, a estilização da ficção científica e da banda desenhada.

   “Ar” é a substância que circula em torno das formas, que as liga, separa e percorre na sua imobilidade e no seu silêncio, espécie de sopro que confere forma e distingue presenças – ao mesmo tempo que a tudo confere o estatuto comum de abstracção.

 

 

    Mencionáramos de início haver algumas conferências ou colóquios neste dia; deles os mais generalistas serão :

 

12 logoQUADRADO   a) Realiza-se nesta Terça-feira 15 de Janeiro, no Anfiteatro da Fundação da Faculdade de Ciências da UL, às 9h30, sob a organização do Prof. Jorge Marques da Silva (FCUL), a 3ª Sessão intitulada “Pensar as Articulações entre a Filosofia da Ciência e as Diferentes Áreas Disciplinares das UL e UTL” do workshop iniciado em Novembro “O Lugar da Filosofia da Ciência na Universidade de Lisboa”. A entrada é livre (embora por convite).

   Nesta sessão que focará essencialmente questões relacionadas com a fundamentação e os cruzamentos disciplinares haverá três paineis :

   A – Transdisciplinaridade em Ciência e Engenharia com a presença de Miguel Prazeres (IST/UTL) e Dinis Pestana (FCUL)

   B – Bioética com António Barbosa (Faculdade de Medicina da UL) e Nuno Melim

(Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa)

   C – Ciência e Arte com Fernando António Batista Pereira (Faculdade de Belas Artes da UL) e

 António Bracinha Vieira (Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa)

   O comentário final, às 12h30, caberá a Nuno Nabais e Olga Pombo, ambos do Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa.

 

 

13 Pope_John_XXI[1]   b) Organizado pelo Núcleo de História de Medicina da Ordem dos Médicos (NHMOM), criado há três anos, o ciclo de conferências de 2012/13 a decorrer na Biblioteca Histórica da Ordem dos Médicos, em Lisboa, tem nesta Terça-feira 15 de Janeiro, às 21h, a sua quinta sessão sob o título “Pedro Hispano – Filósofo, Médico de Papas e Papa” pronunciada pelo dr. António Aires Gonçalves que abordará a figura daquele physico que veio a ser o pontífice João XXI.

   A participação nas conferências é gratuita e aberta a todos os interessados (médicos e não médicos).

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Domingo aqui)

 

 

 

 

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