MARIA BETHÂNIA E AS PALAVRAS

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Cantora baiana recita os seus poetas preferidos

Maria Bethânia não precisa que a apresentemos – recentemente realizou um recital: “Maria Bethânia e as palavras”. Foi na abertura da Festa Literária Internacional de Pernambuco – Fliporto. Textos muito bem escolhidos, inclusive com participação de vários pernambucanos, e uma interpretação memorável, ao mesmo tempo leve e firme. Entre poemas e canções, Bethânia foi acompanhada pelo percussionista Carlos César e pelo o violonista Jaime. Começou com uma homenagem ao seu poeta predilecto, Fernando Pessoa, de quem recitou “Navegar é preciso”, o poema que inspirou uma canção a seu irmão, Caetano Veloso. Clarice Lispector, Manuel Bandeira, Ascenso Ferreira  e outros poetas alternaram com música de Luís Gonzaga.

Quando criança, Maria Bethânia pensou em ser atriz, influenciada pelas aulas de drama (“teatro chamava-se drama”, esclarece) na escola de freiras onde estudava, na Bahia. Desistiu desde a primeira vez que cantou, incentivada pelo irmão, Caetano Veloso. No palco, entretanto, nunca abandonou definitivamente as artes cénicas. “O que eu acho que dá diferença nos meus shows é que eu faço um espectáculo usando a dramaturgia mesmo. Isso explora uma linha mais teatral, mais interpretativa”, explica a artista baiana.

“Maria Bethânia e as palavras” é o expoente dessa relação com as artes cénicas e com a poesia, sempre presentes nos seus shows. “Não é somente um recital. Tem uma ideia, um fio condutor, como em um espectáculo teatral”, define, em entrevista por telefone.Os poetas preferidos foram escolhidos por Maria Bethânia. “São muitos textos que eu já disse em cena. Outros que nunca disse. Outros que jamais direi em shows. É muito conversado. Eu chamo essa leitura de exercício de delicadeza. No tempo de hoje, alguém querer ouvir poesia é bem difícil”, conta. Questionada se o poeta predileto é Fernando Pessoa, Bethânia nem se prende a elogios. Resume a confirmar. “É… É… É… É… É…”, repete, cinco vezes. Além dele, estão na programação Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Caetano Veloso, Renato Teixeira, Amália Rodrigues, Padre Antonio Vieira, Fausto Fawcet, Paulinho da Viola e Luiz Gonzaga, com ABC do Sertão. “O ABC está na leitura desde a primeira que fiz. Muda um pouco, a depender do lugar e mesmo da minha cabeça. Mas o ABC é próprio da leitura”, garante.

Um grande espectáculo, logo, á uma da manhã na sessão da noite.

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