EDMUNDO DE BETTENCOURT E JOSÉ AFONSO – por Carlos Loures

Como já referi noutras ocasiões, conheci Edmundo de Bettencourt numa tertúlia, uma das muitas que existiam em Lisboa no princípio daquelesImagem1 anos sessenta. Reunia esta nos fins de tarde no Café Restauração da Rua 1º de Dezembro, no centro de Lisboa. Paravam por ali, além do jurista, poeta e cantor madeirense, o Alfredo Margarido (1928-2010), que viria a ser professor da Sorbonne, o Manuel de Castro (1934-1971), um grande poeta quase desconhecido, o Cândido da Costa Pinto (1911-1976), um excelente pintor surrealista a quem se devem muitas das capas da Colecção Vampiro. Foi excluído do Grupo Surrealista por ter enviado uma obra sua aao salão do SNI, o órgão que centralizava a política cultural do Estado Novo. Às vezes, juntava-se ao grupo outro madeirense que viria a ser muito famoso , o poeta Herberto Hélder, que, em todo o caso,  parava mais no Café Gelo. Mais raramente o escriotr Renato Ribeiro, com a sua mulher, a Professora Fernanda Barreira.

Edmundo Bettencourt, para além de notável poeta e ímpar cantor do fado de Coimbra, era uma pessoa afável, muito cordial, com memórias muito interessantes do seu tempo de estudante – foi ele que me chamou a atenção para os “históricos” do fado coimbrão – o Augusto Hilário e o António Menano, do mago da guitarra , o Artur Paredes.  Dada a sua modéstia, “esqueceu-se” de referir um histórico incontornável que se chamava Edmundo de Bettencourt. Relativamente à nova geração, falou-me do Luís Goes e de um outro jovem – um tal José Afonso de que – estávamos em 1961 – eu nunca ouvira falar. Edmundo Bettencourt, com o seu ar discreto, incapaz de tentar impor uma opinião, foi muito categórico – «Este jovem vai ser o cantor».

Leave a Reply