Hoje o estado português vai colocar dívida nos mercados. Com o apoio de quatro bancos. O Morgan Stanley, o Barclay’s, o Deutsche e o BES Investimento. Criou-se grande expectativa sobre a operação. O Jornal de Negócios informa-nos que se trata, não de um regresso antecipado aos mercados, mas de uma tentativa de aproveitar um bom momento de mercado. E que Setembro próximo será uma altura em que se terá de proceder a muitos reembolsos, não propriamente de regresso aos mercados.
Entretanto, Gaspar perece que negoceia em Bruxelas um alargamento de prazos de pagamento. Já muita gente tinha falado disso, mas ao que se sabe só agora ele se decidiu. Entretanto, continuam os cortes no nosso dinheirinho. Os grandes beneficiários destas operações são os bancos, que recebem comissões por todas as operações em que participam, ficando nós sem perceber para que serve o IGCP, E.P.E., entidade sujeita à tutela do Ministério das Finanças (do Gaspar).
Na realidade, Passos/Portas/Gaspar devem-se ter lembrado de outra coisa que está para ocorrer. Lá para Outubro, vamos ter eleições autárquicas, e não é preciso ser feiticeiro para imaginar que as expectativas do Santo Trio (santo, para os mercados, claro) estão um bocado tremidas. Em 2014, haverá eleições para o Parlamento Europeu. No ano seguinte, legislativas.
Mais do que o chamado regresso aos mercados é este regresso à arena eleitoral que os deve estar a preocupar. É que mesmo uma democracia limitada, meramente representativa, e que eles se esforçam para que seja o menos participada que possível (vide a chamada discussão sobre a reforma do Estado) exige algum esforço para fazer com que as pessoas engulam todas estas tristes figuras que as obrigam a fazer.

