MAIS UM ESCÂNDALO – O VATICANO CONSTRUIU UM IMPÉRIO FINANCEIRO SECRETO COM DINHEIRO DE BENITO MUSSOLINI? – por Carlos Loures

O jornal britãnico The Guardian levanta uma questão que a Igreja Católica se recusa a discutir – o império financeiro secretamente criado pelo Vaticano a partir do amistoso relacionamento do papa Pio XI, Ambrogio Achille Ratio, com  Mussolini e com o regime fascista. Segundo o jornal apurou, empresas e propriedades do Vaticano teriam nascido duma fortuna entregue por Mussolini em 1929, em troca do apoio papal ao regime fascista, designando o ditador por “homem de Deus” e apoiando depois Hitler com a cumplicidade do silêncio face ao extermínio de seis milhões de judeus. Dando exemplos concretos, o The Guardian refere a cadeia Bulgari, de joalheiros de luxo, o banco de investimentos Altium Capital e o Pall Mall, como integrantes desse espólio. Pio XI teria recebido ainda terrenos que integrou no Estado do Vaticano, além de ações das empresas automotoras FIAT e Alfa Romeo. Segundo o jornal, o valor actual deste fundo secreto, ocultado por empresas estabelecidas em paraísos fiscais, ultrapassa o montante de 680 milhões de euros.

Em 2006, no pico do negócio imobiliário europeu, o Vaticano investiu em condomínios de luxo no Reino Unido, em França e na Suíça. O The Guardian explica como o Vaticano usou nestas operações a empresa britânica GroLux Investments Ltd, registada em nome de dois banqueiros católicos: John Varley, executivo-chefe do Barclays Bank, e Robin Herbert, ligado ao banco comercial Joseph Leopold. Às perguntas do jornal, ambos responderam:i “não estou autorizado pelo meu cliente a fornecer qualquer informação.”

O controlo final do que é designado por “império secreto” é feito pela empresa suíça Profima, que na época da Segunda Guerra foi acusada de ter desenvolvido actividades contrárias aos interesses dos Aliados. O financiador do papa na época era Bernardino Nogara, que controlava os investimentos feitos com os fundos doados por Mussolini. e, em 1943, os britânicos acusaram Nogara de “lavagem de dinheiro”, ao manipular as finanças do Vaticano para atingir “estranhos fins políticos”. Foi nessa época que Nogara criou a empresa de seguros Praevidentia, na qual participaram diversos senadores italianos apoiantes do fascismo. Terá também havido cumplicidade do papa na guerra de ocupação da Etiópia pela Itália (1935), ao fornecer armas ao Exército italiano por meio da Officine Meccaniche Reggiane, outra empresa criada com o fim de levantar capitais. Tudo isso sancionado pelo “Pacto de Latrão”, quando Mussolini reconheceu o Estado do Vaticano e regulamentou o seu sistema financeiro. De acordo com John Pollard, historiador da Universidade de Cambridge, o dinheiro de Mussolini foi fundamental para que o sistema papal se consolidasse financeiramente mesmo em períodos de turbulência económica. Os investimentos financeiros do Vaticano estão actualmente estão nas mãos de Paolo Mennini, que lidera uma divisão da APSA – Amministrazione del Patrimonio della Sede Apostolica, responsável pelo “património mundial da Santa Sé. De acordo com um relatório do ano passado do Conselho da Europa, os activos da APSA  excedem os 680 milhões de euros. O The Guardian procurou que o núncio apostólico, o arcebispo Antonio Mennini, explicasse por que motivo o Vaticano continua a manter segredo sobre os seus investimentos bancários. O porta-voz da Igreja Católica Romana disse não ter qualquer comentário a fazer sobre o tema.

.

Leave a Reply