EDITORIAL: EL PAÍS E HUGO CHÁVEZ

Diário de Bordo - II

Quinta-feira passada, dia 24 de Janeiro, El País, um jornal de grande reputação, tiragem colossal, e, acima de tudo, com uma responsabilidade enorme para com os seus leitores e o público em geral, cometeu uma falha enorme. Pôs no seu site e na sua edição impressa uma fotografia de uma pessoa humana, em óbvias dificuldades de saúde, e informou ser outra pessoa. E sucede que essa segunda tem sido bastante maltratada, desde há vários anos, pelo mesmo jornal. Também se encontra gravemente doente. O jornal deu pelo erro, já tarde, e retirou as fotografias, e pediu desculpas aos leitores (não pediu aos doentes, ao que parece).

Dois pontos importantes. Um, El País é um excelente jornal. Tem decaído, como aliás a maior parte da imprensa por esse mundo fora. Tornou-se mais parcial e há secções com menos qualidade do que há dez anos atrás. Contudo continua a ser um jornal digno de ser lido.

Outro ponto, o segundo doente, Hugo Chávez, é vilipendiado pela maioria da comunicação social, a começar pela comunicação social do seu próprio país, que continua nas mãos da oligarquia venezuelana. Sobre essa situação, é de sugerir a quem estiver interessado em aprofundar o assunto que vá ao site FAIR Fairness & Accuracy in Reporting, e, no endereço http://nacla.org/blog/2012/10/8/hall-shame-venezuelan-elections-coverage, leia a reportagem de Keane Bhatt, sobre as eleições do ano passado na Venezuela.

El País, como a maioria da comunicação social,  segue os ditames dos seus donos. Primeira regra, atacar quem ataca o capitalismo. Hugo Chávez tem-se revelado um forte adversário deste último, que é uma autêntica ideologia política, desenhada para justificar o domínio do mundo pelos grandes cabos da finança. Deste modo, os grandes órgãos de informação, quase totalmente propriedade ou sob o controlo destes últimos, manifestam hostilidade a todos os líderes mundiais que mostram veleidades socialistas. Estes nem precisam de ir tão longe para sentirem as fúrias dos plumitivos de serviço. Nem Dilma Roussef lhes vai escapar.

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