Pentacórdio para Quarta-feira 30 de Janeiro

 

por Rui Oliveira

 

 

 

  

axel   Nesta Quarta-feira 30 de Janeiro o evento mais original poderá ser a vinda ao Ciclo Hootenanny no Grande Auditório da Culturgest, às 21h30, no seu segundo espectáculo, para celebrar o boogie woogie, de uma dupla (não norte-americana) composta pelos pianistas Axel Zwingenberger (alemão) e Eeco Rijken Rapp (holandês).

05-eeco-rijken-rapp   Tendo o boogie woogie nascido nas barrelhouses que acompanharam a construção da rede ferroviária norte-americana, como um dos estilos da música de raiz africana nos EUA, o facto é que a sua popularidade decresceria na década de 20 e só em 1938, fruto dos famosos espectáculos From Spirituals to Swing no Carnegie Hall, surgiu um dueto de pianistas afro-americanos, Albert Ammons e Pete Johnson, que ganharam audiências com o virtuosismo do seu boogie woogie o qual, duas décadas depois, invadiria de novo os salões de baile para dar um contributo determinante ao novo som do rock & roll.

   Ora há hoje um consenso generalizado que os grandes especialistas do lendário dueto de Ammons e Johnson são exactamente os dois europeus desta noite.

   O vídeo abaixo mostra a grande mestria do pianista holandês quase numa masterclass on line (em que é habitual). A qualidade dos registos da actuação conjunta de Axel Zwingenberger e Eeco Rijken Rapp não é famosa, mas uma sua presença em Londres em 2010 pode ser ouvida aqui :  http://youtu.be/u9Ylx4uSk6g 

 

 

 

 

   Quem, entretanto, se deslocar nesta Quarta-feira 30 de Janeiro à Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 19h, assistirá a mais um Concerto Antena 2 de entrada livre em que António Carrilho, especialista de flautas de bisel irá tocar música de Johann Sebastian Bach, a saber :

 

      Suite IV BWV 1011 (original para violoncelo)

            [ Prélude/ Allemande/ Courante/ Sarabande/ Gavotte I e II/ Gigue ]

      Sonata I BWV 1001 (original para violino)

            [ Adagio/ Allegro/ Siciliana/ Presto ]

      Partita BWV 1013 (original para traverso)

            [ Allemande/ Corrente/ Sarbande/ Bourrée Angloise ]

      Partita II BWV 1004 (original para violino)

            [ Allemanda/ Corrente/ Sarabande/ Giga/ Ciaccona ]

 

antónio carrilho   António Carrilho é um dos mais activos e reconhecidos intérpretes portugueses de flauta de bisel no panorama nacional e internacional, tendo uma intensa carreira enquanto solista num reportório que vai da Idade Média até aos nossos dias, world music e experimental. É Mestre pelo Koninkelijk Conservatorium Den Haag (Holanda), solista com as orquestras Gulbenkian/ Sinfónica Portuguesa/ OrquestrUtópica/ Divino Sospiro/ Flores de Música/ OCCO e ainda professor adjunto na ESART (Escola Superior de Artes Aplicadas),  leccionando nas Masterclass Internacionais de Música Antiga de Urbino (Itália) e CIMA (Portugal), além de premiado em competições de flauta em Inglaterra e Israel e autor de gravações de música de Bartolomeu de Selma y Salaverde (ed. Encherialis), de Sérgio Azevedo (ed. Numérica) e de “Vilancos Negros” com o Coro Gulbenkian/Jorge Matta (ed. Portugaler).

   Mostramos-lhe uma sua colaboração com Paulo Gaio Lima  violoncelo e Marcos Magalhães cravo na execução da Trio Sonata em Ré menor BWV 527 de J.S.Bach na Igreja do Menino Deus (Lisboa) em 10/ 12/2011 :

 

   É possível ouvir igualmente uma sua muito interessante participação com Edoardo Sbaffi  violoncelo e Jenny Silvestre espineta na execução da Sonata em Sol maior de J.S.Bach em 2011 aqui  http://youtu.be/UMK1vn6s77o .

 

 

 

thumbs_sapo_pt    Aos interessados pelo jazz, em particular o denominado afro-cubano, desperta bastante curiosidade a vinda à sala TMN ao Vivo (Rua da Cintura, Armazém 65, Cais do Gás – Santos) nesta Quarta-feira 30 de Janeiro, pelas 22h, da “Dizzy Gillespie Afro-Cuban Experience Featuring Machito Jr.”, uma formação dirigida por John Lee, o baixista de Gillespie, constituída por excelentes instrumentistas com experiência na música latina, com especial relevo para o percussionista Machito Jr. (foto no cartaz).

   Trata-se do filho do chefe de orquestra histórico que tocou com Charlie Parker e Howard McGhee, a cuja banda pertencia Mario Bauza com quem o trompetista Dizzy Gillespie colaborou intimamente «descobrindo os segredos da batida da “clave”, fundamental na música cubana, que misturou na sua orquestra com jazz de feição “bop” dando assim origem a um novo som”, gravado nos “Afro-Cuban Jazz Moods” e homenageado no concerto desta noite.

   Eis a música original :

 

 

 

 

   Quanto a teatro, a Culturgest e o Teatro Maria Matos voltam, após três anos, a apresentar na Sala Principal deste último Teatro, às 21h30 desta Quarta-feira 30 de Janeiro (bem como na Quinta 31) um espectáculo dos tg STAN intitulado “Le Chemin Solitaire”(O Caminho Solitário), representado em francês com legendas em português.

le chemin solitaire   Parte dum texto de Arthur Schnitzler (Der einsame Weg, 1903) e é uma criação (com representação) de Natali Broods, Jolente De Keersmaeker, Damiaan De Schrijver, Nico Sturm/Stijn Van Opstal e Frank Vercruyssen.

   A acção da peça é espoletada pela doença e morte de Gabrielle, mulher de Wegrat e mãe de Felix e Johanna, que vem trazer ao de cima um segredo antigo. Julien Fichtner, um velho amigo da família, regressa à cidade natal que abandonara para se dedicar à sua carreira artística. Na altura, abandonara também Gabrielle, grávida de um filho seu, porém casada com Wegrat, que educaria a criança como se fosse sua. Agora, temendo a solidão da velhice que se aproxima, Julien quer finalmente revelar o segredo a Felix.

   O colectivo belga centra a sua leitura da peça na relação entre o actor, a personagem e o texto. Revelando um profundo trabalho de interpretação, os cinco actores distanciam-se de cada uma das personagens e centram a sua abordagem na universalidade das emoções, representando pessoas intemporais que enfrentam dilemas intemporais.

   Eis um excerto da peça representada em Estrasburgo em Outubro de 2011 :

 

 

 

 

phpThumb_generated_thumbnail   Quanto a conferências, inicia-se nesta Quarta-feira 30 de Janeiro no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, às 18h (com entrada livre e tradução simultânea) o Ciclo de  Conferências “360° – Ciência Descoberta”  que acompanhará a exposição com o mesmo nome a inaugurar no próximo dia 2 de Março que abordará a ciência de portugueses e espanhóis na época dos descobrimentos. O título “360° – Ciência Descoberta”  faz referência ao núcleo principal da exposição, isto é, o estabelecimento por portugueses e espanhóis de rotas marítimas de escala planetária, e os novos horizontes científicos que elas abriram aos europeus.

   A primeira palestra “Rodear o mundo. Enciclopedismo e circumnavegação” (Rodear el mundo. Enciclopedismo y circunnavegación – SS. XVI-XVIII) será proferida por Juan Pimentel (Instituto de Historia, CSIC, Espanha).

   Haverá transmissão online : http://www.livestream.com/fcglive e videodifusão : http://live.fccn.pt/fcg/

 

 

 

   Outra conferência, de interesse mais limitado, é a que se realiza no Museu Nacional de Arqueologia, às 18h, onde Leonel Borrela (historiador e museólogo) falará sobre “Mariana Alcoforado – Lettres Portugaises – Questões de autoria”, havendo uma exposição concomitante de primeiras edições da obra.

 

 

 

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   Finalmente, como assinaláramos ontem, lembramos que encerra a 2 de Fevereiro a exposição “João de Almeida – Arquitectura/Design/Pintura” com que a Casa-Museu Medeiros e Almeida (Rua Rosa Araújo, nº 41 em Lisboa) dá a conhecer ao grande público a obra do arquitecto João de Almeida (n. 1927), um artista que contribuiu para alguns dos movimentos da arquitectura portuguesa na segunda metade do século XX.

   A mostra inclui arquitectura religiosa e civil, design de ourivesaria sacra e mobiliário e até pintura, áreas com trabalhos reconhecidos de João de Almeida.

cor009   Historiando, o jovem arquiteto  João de Almeida estagia na Suíça entre 1949 e 52 com o conceituado arquitecto Hermann Baur, tendo assim contacto com os meios artísticos e intelectuais de Paris, Basileia (Suíça) e Trier (Alemanha), que na altura tem em curso uma reflexão sobre o pós-Segunda Guerra Mundial, reflectindo-se nas novas correntes modernistas da arquitectura e das artes.

   Ao regressar funda, em 1953, com Nuno Teotónio Pereira, o Movimento de Renovação da Arte Religiosa (MRAR), juntamente com Nuno Portas, Luiz Cunha e muitos outros arquitectos e artistas. Decide depois abraçar o sacerdócio entre 1958 e 1967, ano em que apresenta a sua tese de arquitectura na então Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, que consiste no projecto da Igreja Paroquial de Paço d`Arcos.

   Desde 2002 e até agora, o artista tem-se focado na pintura, regressando no tempo mais de cinco décadas. “O desenho (diz o crítico José Luis Porfírio) é a prática que vai unindo todo o percurso de João de Almeida …”  e na exposição “… talvez… para temperar a sua «obra ao negro» … tenha sido tentado por uma cor que, a princípio, tudo suaviza mas que rapidamente regressa ao seu particular universo de dramático claro-escuro”.

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Segunda aqui)

 

 

 

 

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