EDITORIAL: O REINO UNIDO FICA NA EUROPA?

Diário de Bordo - II

 

Ninguém de boa fé  duvida que a Inglaterra, a Escócia, o País de Gales e a Irlanda geograficamente ficam na Europa.  Contudo há fortes dúvidas sobre se os cidadãos do Reino Unido querem realmente pertencer à União Europeia.  Este problema põe-se também noutros países, evidentemente. Contudo quando se fala do Reino Unido o interesse parece ser especial. Tem a ver, claro, com o seu  peso político,  económico e militar no conjunto das nações europeias. E com as opções que os dirigentes britânicos tendem a fazer, de sistemático alinhamento com os EUA, nas “iniciativas” que estes  têm tomado, como as guerras no Iraque e no Afeganistão.

No passado, os britânicos procuraram gerir os seus assuntos em competição com a França e a Alemanha (antigamente a Prússia), aliando-se por vezes a uma contra a outra.  A Espanha desde o século XVIII que tem pouco peso no conjunto. O jogo político mundial modificou-se com as Guerras Mundiais do século XX e a emergência dos EUA e da URSS. Hoje em dia, após a desagregação da segunda, assistimos a uma nova situação, com uma única superpotência ao nível mundial, que procura manter esse papel só para si. Não está interessada em que a Europa se torne numa sua rival, embora lhe faça repetidas declarações de amizade.

A aparição na cena internacional de novos contendores, com grande força económica, embora a curto prazo sem possibilidades de equilibrar  militarmente o poderio norte-americano, põe novas questões. O Reino Unido ligou-se à União Europeia para obter vantagens económicas. A recente crise financeira e o crescimento económico da China, Índia, Brasil e de outros países fazem com que os dirigentes britânicos sintam poder ter vantagens em desligar-se da União Europeia, reduzindo a ligação aos países europeus, e aumentando-a em relação aos chamados países emergentes. Esse é o pano de fundo para a ideia de David Cameron para lançar um referendo sobre a ligação do seu país à UE até 2017.  Vai ao encontro do sentimento eurocéptico de muitos dos seus concidadãos. E tenta assim fugir às regulações sobre o mundo financeiro que Bruxelas poderá tentar impor, para equilibrar o ascendente que a City de Londres tem em relação às suas rivais situadas nos outros países europeus.

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