QUE PROFESSORES SOBREVIVEM? – por António Mão de Ferro

 

Transcrito, com a devida vénia, da Revista Formação & Inovação

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A visão que controla as nossas Escolas e Universidades parece ser a de um mundo que funciona como um relógio. É estática, repetitiva, linear! Esta conceção, tipo mecanismo de relojoaria, acaba por se constituir como uma espécie de travão ao desenvolvimento, quando devia ser motor de inovação e de produtividade.

Ainda que os agentes de ensino estejam a “ensinar bem”, e a cumprir os programas, os conhecimentos veiculados não estão a dar resposta às necessidades das empresas. Estas cada vez mais necessitam de colaboradores que dominem um conjunto de competências técnicas e sociais que lhes permitam produzir bens e obter lucros, sem os quais não poderão subsistir.

Os sistemas de ensino não podem por isso restringir-se ao horizonte limitado dos seus conteúdos, nem por “ensinar bem”, aquilo que está desadequado. É preciso terem em conta que as responsabilidades demasiado claras, as rotinas estabelecidas, a divisão e especialização do trabalho, funcionam mal numa conjuntura de mudança imprevisível e onde as tecnologias se sucedem a um ritmo cada vez mais veloz.

A Educação terá de contribuir cada vez mais para que as pessoas possam descobrir-se na sua identidade e nos seus valores, consciencializar-se da importância do trabalho em grupo, da comunicação e da cooperação. Porque à medida que as organizações se tornam mais complexas, o conhecimento conjugado dos diferentes intervenientes é um contributo importante para a afirmação das empresas. A inteligência individual e coletiva, o espírito crítico, o sentido de pertença e a capacidade de concretização, são fatores muito importantes que devem ser mobilizados dos estabelecimentos de ensino para o mundo laboral.

Cada vez mais os docentes necessitam de ser capazes de compatibilizar os programas com as exigências do trabalho, pois não virá muito longe o dia em que os estabelecimentos de ensino que conseguirem essa compatibilização ganharão uma clara vantagem e prosperarão. Os docentes que continuarem a funcionar como um relógio poderão ter os dias contados

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