As notícias que chegam do Mali são preocupantes. Perante o avanço dos rebeldes na direcção da capital, o governo decidiu prolongar por mais três meses o estado de emergência decretado em 12 de Janeiro. Esta progressão das forças islamitas que controlam o norte do país, está a motivar um crescente envolvimento de França, antiga potência colonial, no conflito. Tropas francesas e do Mali entraram ontem em Diabali, desalojando os islâmicos. Entretanto, a Grã-Bretanha anunciou o envio de tropas para auxiliar a França no seu esforço de implementar a paz. Ou seja, esboça-se um cenário em que, no curto-prazo, será previsível uma situação de intervenção de forças internacionais a exemplo do que tem sucedido noutras zonas.
Na sua edição de anteontem, o jornal La Republica, de Roma, num excelente artigo de Barbara Spinelli, recorda-nos uma realidade insofismável – há cerca de 15 anos que a Europa está em guerra – Balcãs, Iraque, Líbia, Afeganistão, Sahel… E o jornal, perguntando como pode a União Europeia ganhar o Prémio Nobel da Paz, refere a ausência de debate no seio dos vinte e sete países. De facto, como pode o Prémio Nobel da Paz, depois de ter sido outorgado em 2009 a Barack Obama, ser atribuído três anos depois a uma União Europeia que, sem debater previamente as suas intervenções, avança para conflitos que, as mais das vezes, sem a sua «intervenção humanitária», provocaria menos mortes e menos estragos?
A guerra – diz Barbara Spinelli no seu artigo, – muitas vezes sangrenta mas raramente benéfica – nunca é designada pelo seu nome. Avança disfarçada: com ela conseguiremos estabilizar os países em falência, torná-los democráticos e, tudo isso, num curto espaço de tempo e sem grandes despesas». Partindo desta realidade – a Europa, quase sempre empurrada pelos Estados Unidos, ajuda os falcões do Pentágono a policiar o mundo. E os resultados destas intervenções feitas em nome da democracia? – Em sete anos, o número de democracias na África caiu de 24 para 19. É um fracasso para a Europa e o Ocidente. Entretanto, a China, que observa e esfrega as mãos de contente, aumenta a sua presença no continente. Actualmente, o seu intervencionismo consiste em construir estradas, e não travar guerras. Trata-se claramente de colonialismo, mas de um género diferente. As suas forças são a resiliência e a paciência. Talvez seja por discutirem em Pequim o seu domínio sobre a África e a Ásia que a Europa e os Estados Unidos se mostram tão agressivos. É apenas uma hipótese, mas se a Europa começasse a discutir, mencionaria também este assunto, e não seria de todo inútil.
África continua, apesar das independências que formalmente os países do continente alcançaram, a ser alvo dos diversos colonialismos que, com outras designações, subsistem. Estados Unidos e os seus apêndices europeus, a República Popular da China, as economias emergentes, todos procuram extrair as riquezas de uma África cuja desgraça é precisamente o facto de ser tão rica em recursos naturais.

Viva o Mali fundamentalista islâmico! Viva a identificação do Estado com a religião! Viva a lapidação das mulheres violadas! Viva o domínio dos machos sobre as fêmeas pecadoras, que só por existirem, essas serpentes maléficas, esses instrumentos de Satã, esses receptáculos do Demo, levam os homens ao pescado, perdão, ao pecado! Viva as mulheres embrulhadas! Viva a destruição de documentos históricos! Viva a ditadura dos fanáticos! Viva a cagufa! Ó gentes c’a tineta da pecaminosa liberdade, que, sem a aprovação dos srs. padres ou dos mullahs não passa de desbragada libertinagem: basta resignarem-se a ser escravos do fanatismo religioso, para haver menos mortos e estragos, que diabo! Deixem-se lá de fazer ondas! Custa alguma coisa abdicarem de ser gente, em nome da… cuméquessechama?… ah… é isso.. da coisa… da paz, pois claro? Não perturbem os atrasados mentais que sabem ler melhor que todos o Corão ou a Bíblia ou qualquer outro livro “sagrado” (os outros nem interessam), qu’é onde ’tá a Verdade Verdadeira, a Única, escrita directamente por Allah e Jeová, a meias, no Office da época (o 0.0000001) e e querem salvarvos a todos, nem que tenham que vos matar! Há lá coisa melhor do que ter estes sábios a pensar por todos? Já agora, porque não hão-de os cristãos optar por se inscrever todos na Opus Dei (ó plácida e soporífica felicidade!), qu’até sabe que livros é que são bons e quais os órríveis, que não se harmonizam cas leis de deusnossenhor (já basta o sacrifício qus santos padres fazem por nós, ao lerem essas resmas de papel amaldiçoado, p’ra nos pouparem a fatal tentação de os lermos nós, logo ficando manchados p’lo pecado e contemplados com bilhete só d’ida prós infernos)? Em breve até os ateus seriam misericordosamente obrigados (deus é grande!) a não pecar, lendo livros ou vendo filmes que não prestam, qus da prelatura sabem de ciência certa que o JC nunca leu nem viu (parece qu’ inté se recusava a ir ao cinema), pelo que todos são desaconselháveis (claro que é apenas uma sugestão, as fogueiras são só prájudar a pensarem melhor, mais quentinhos e desculpem lá a fumarada)… Allah akhbar!
Eu é que sou um relapso, que não gosta que mandem nele, nomeadamente mentecaptos, nem que lhe digam o que deve ler ou ver… Manias, quiçá psicoses ou possessões demoníacas! Perdoai-me, srs, que nã sê u que façu… E não gosto de saladas, russas ou chinesas que sejam, nem de aceitar, submisso a confusões entre “intervenções” amalgamadas numa mesma massa informe, que se abandone seres humanos à afortunada condição de muçulmanos à força, como, noutros tempos – e, mais discreta e enviesadamente, nestes – a santa inquisição constrangia os indivíduos a serem livremente tementes à fogueira, quédezer, ‘esculpem, a deus, que também só ela, a santa, sabia quem era e o que queria e o quéra bom p’ra todos e avria dus levarós céus cumós fuguetes a jáquetu.
O Mali, país soberano, não tem o direito de pedir que o ajudem a acabar com esta ameaça a qualquer hipótese de os seus cidadãos acederem a um mínimo de dignidade humana? E que tal não misturarem alhos com bugalhos?
Há melhores pretextos para estas tão piedosas e politicamente correctas reflexões do que uma intervenção para travar candidatos a ditadores “religiosos”, a donos de todas as “almas”… e corpos. Abrenúncio!
“África continua, apesar das independências que formalmente os países do continente alcançaram, a ser alvo dos diversos colonialismos que, com outras designações, subsistem. Estados Unidos e os seus apêndices europeus […]”
Entre eles, Portugal?
Claro que sim. Embora com uma importãncia reduzida. E, falando dos exploradores, é preciso não esquecer as classes possidentes nativas, gente que vive num luxo ostensivo e criminoso, enquanto há crianças a morrer de subnutrição e de enfermidades curáveis.