RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

A revelação bombástica para o Euro que a Finlândia atirou sobre Berlim e Madrid

Haydn Shaughnessy

Euro - II Euros (Photo credit: Images_of_Money)

Os finlandeses acabaram de atirar uma bomba ao colo dos líderes da zona Euro e alteraram os termos do debate sobre o futuro da Europa. Numa entrevista a um dos principais jornais diários de Helsínquia, hoje publicada, a Ministra das Finanças, Jutta Urpilainen, afirmou que a Finlândia estaria disposta a abandonar o Euro, em vez de ter que assumir a responsabilidade por dívidas de outros países e respectivos riscos. A Ministra também deixou claro que vai exigir colaterais à Espanha antes de se comprometer no resgate. Esta posição poderá levar à humilhação que a Espanha tem procurado evitar.

A posição da Finlândia reabre totalmente uma vez mais o problema da sobrevivência do euro. É talvez a bomba mais inesperada e, ao atirá-la, os finlandeses fizeram saber a todos os envolvidos, incluindo aos mercados, que não é a Alemanha que tem poder de ditar sobre o euro.

Quando as pessoas falam sobre soluções para o problema do Euro, colocam-nas invariavelmente em termos do que a Alemanha poderia estar disposta a pagar para isso. A realidade, como eu já disse aqui, é que as soluções para a crise do Euro requerem necessariamente uma plataforma democrática.

Antes da última cimeira euro na semana passada, em Bruxelas, os alemães, franceses, espanhóis e italianos reuniram-se para discutir possíveis soluções para a crise da dívida italiana e espanhola. Ao acreditarem que a Alemanha e a França são os únicos que têm poder para resolver estes problemas, os quatro grandes terão antagonizado os países mais pequenos, cuja pele está tanto em jogo quanto a deles. A Finlândia limitou-se a contra-atacar.

A Finlândia está agora a expressar abertamente os seus planos de contingência, que incluem a hipótese de abandonar a zona euro. Envia assim uma mensagem a Berlim para não ceder à pressão internacional e a Madrid e Roma de que não se safam com a insinuação de levar ao limite o espectro de crise. Na verdade, se há quem esteja à beira do limite neste clima económico são os pequenos países que sejam prósperos mas que estejam em risco. Depois de toda a discussão sobre a possibilidade da saída da Grécia na cauda da zona euro, então o que seria se se um dos países mais prósperos se antecipasse em abandonar a zona euro? Seria um acontecimento sísmico.

Haydn Shaughnessy,    The Euro Bombshell That Finland Just Dropped on Berlin and Madrid, Julho de 2012,  texto disponível em : http://www.forbes.com/sites/haydnshaughnessy/2012/07/06/the-euro-bombshell-that-finland-just-dropped-on-berlin-and-madrid/,

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