DESEMPREGO, AS ESTATÍSTICAS ESCONDIDAS DA EUROSTAT
François ASSELINEAU, Chômage: Les statistiques cachées de Eurostat
Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
Parte II
(conclusão)
Análise crítica das estatísticas escondidas no comunicado da Eurostat
Voltemos agora ao Comunicado de Eurostat de 8 de Janeiro de 2013, para actualizar as estatísticas mascaradas por uma apresentação deliberadamente opaca.
Neste comunicado de imprensa diz-se:
“Na zona euro (ZE17), a taxa oficial de desemprego ajustada sazonalmente atingiu 11,8 por cento em Novembro de 2012, em alta relativamente à taxa de 11,7% em Outubro.
Na União Europeia tomada globalmente (UE-27), a taxa de desemprego situou-se em 10,7%, em Novembro de 2012, estável quando comparada à de Outubro.”
O meu comentário
O caracter cruel desta apresentação baseada somente nos agregados UE 27 e ZE 17 é que ela leva a pensar ao leitor apressado que é o conjunto de todos os Estados europeus que está a ser vítima de um aumento do desemprego.
De forma deliberada, esta apresentação esconde a comparação das taxas de desemprego macroeconómica globais entre todos os Estados que adoptaram o euro por um lado e todos aqueles que mantiveram as suas moedas nacionais por outro lado.
No entanto, o que esconde Eurostat é que assim se a taxa de desemprego a ZE17 aumentou, enquanto a de EU27 se manteve estável, isso significa necessariamente que a taxa de desemprego diminuiu na área dos 10 Estados da UE que não adoptaram o euro (área que eu chamo de ZFE10).
Aliás, o comunicado de Eurostat continua indicando que comparado a Novembro de 2011, o desemprego aumentou de 2,012 milhões na UE27 e de 2,015 milhões na zona euro .”
O meu comentário
Esta informação deve ser reescrita de forma compreensível para o comum dos mortais.
Esta significa exactamente o seguinte:
• O número de desempregados explodiu de + 2 015 000 em 17 Estados-membros da zona euro (ZE17): este é exactamente o que está escrito no comunicado de imprensa de Eurostat.
• – mas o número de desempregados diminuiu – 3 000 nos 10 Estados da UE localizados fora da zona euro (ZHE10): é precisamente isto o que está escondido no comunicado de imprensa de Eurostat.
Eu concedo à vontade que uma baixa de – 3 000 desempregados nos 10 Estados da UE localizados fora do euro (ZHE10) é uma baixa mínima. Mas, no entanto, é uma baixa, o que não pode ser considerado como irrelevante do ponto de vista simbólico.
E esta fase de declínio apresenta-se horrivelmente embaraçosa para os fanáticos dos dogmas europeísta, com a catastrófica ascensão do desemprego na zona euro.
Esta é, sem dúvida, a razão pela qual Eurostat – direcção da Comissão Europeia – não publicar os resultados de ZHE10.
Tratando-se do desemprego dos jovens, mulheres e dos homens , o Comunicado de Eurostat persiste na apresentação da mesma maneira o que impede ao grande público de fazer a única comparação que é realmente útil para julgar o euro.
Em matéria de desemprego dos jovens , por exemplo, Eurostat mostra: “em Novembro de 2012, temos 5,799 milhões de jovens com idade abaixo de 25 que estavam desempregados na UE27, de entre os quais 3, 733 milhões na área do euro. Relativamente a Novembro de 2011, o número de jovens desempregados aumentou 329 000 na UE27 e de 420 000 na zona euro. »
O meu comentário
Como anteriormente, esta informação deve ser reescrita de forma compreensível para o comum dos mortais
Significa exactamente o seguinte :
• – O número de desempregados com menos de 25 anos aumentou de + 420 000 na zona euro em 17 Estados (ZE17): isto é exactamente o que está escrito no comunicado de imprensa de Eurostat.
• – mas o número de desempregados com menos de 25 anos caiu – 91 000 na zona que está fora do euro a 10 Estados (ZHE10): isto é precisamente o que está escondido no comunicado de imprensa de Eurostat.
Em suma, o desemprego dos jovens com menos de 25 anos explode na zona euro e diminui significativamente na zona fora do euro e o comunicado do Eurostat é escrito de forma tal que o leitor não terá disso consciência.
O desemprego dos jovens de menos de 25 anos explode na zona euro. Aqui, um jovem casal grego com o seu filho está reduzido à mendicidade numa rua de Thessalonique.
EUROSTAT TRAI SUA MISSÃO, MAS NÃO PODE ESCONDER TUDO
Contrariamente ao que Eurostat, dependendo da Comissão Europeia, afirma na sua autocelebração de si-próprio e que publicou no seu site, o Eurostat publica Comunicados públicos cuidadosamente apresentados que não permitem as comparações que mais possam interessar e que não permitem à opinião pública e aos media de medirem se a sociedade está a evoluir de acordo com as promessas dos políticos.
No entanto, o Eurostat é incapaz de esconder toda a verdade. Para quem saiba ler um gráfico como este da evolução da taxa de desemprego na União Europeia (UE27) e na zona euro (ZE17), publicado pelo mesmo Comunicado este mostra bem onde está o problema.
Como se vê no gráfico abaixo a taxa de desemprego da zona euro (curva a fino ) :
- – era inferior à taxa de desemprego da UE globalmente considerada ( curva a cheio) no início dos anos 2000,
- – começou a aproximar-se a partir da entrada em vigor do euro sob forma fiduciária (notas e moedas) em 2002,
- – ultrapassou-a a partir de meados de 2004
- – e a diferença entre as duas taxas alarga-se de forma cada vez mais profundamente depois de 2010.
Não se poderá mostrar melhor que o euro, enquanto tal, é uma moeda que amplia os problemas estruturais do desemprego e isso de forma catastrófica.
CONCLUSÃO: As consequências do resgate provisório do euro
Esta catástrofe que é o euro permite bem perceber a dimensão das consequências futuras do seu resgate provisório a que se assistiu em 2012.
• 1 °) O euro foi temporariamente “salvo” em 2012, pelo facto de que os responsáveis políticos europeus, traindo os interesses dos seus respectivos povos, aceitaram enormes transferências de dívidas dos bancos privados para os contribuintes. A prazo, trata-se de são centenas de milhares de milhões de euros que podem ter que ser pagos pelos contribuintes europeus.
• 2 °) Se esta transferência pelos contribuintes é aceite, transferência tão escandalosa como lunática, será então por causa da pressão colossal de Washington. Como eu já disse muitas e muitas vezes, os dirigentes políticos da América tudo têm feito para evitar a explosão do euro, porque eles sabem que esta explosão implicaria inexoravelmente a desintegração do “glacis geopolítico ” americano na Europa, herdado da Segunda Guerra Mundial e brilhantemente qualificado como “a construção europeia ” para enganar os povos da Europa.
• 3 °) Esse resgate provisório tem no entanto um custo, não só económico e financeiro, mas também um custo social aterrador. O desemprego não vai parar de continuar a aumentar nos próximos meses e, possivelmente, nos próximos anos. E, com ele, é a pauperização, o aumento dos que nada têm, a pobreza, a falta de habitação e o mal-estar que não deixa de estar de minar e gangrenar as sociedades europeias , em especial no sul da Europa.


