Pentacórdio para Quarta-feira 6 de Fevereiro

por Rui Oliveira

 

 

 

1 viktoria mullova +... 

2 viktoria_mullova3 matthew barley   Nesta Quarta-feira 6 de Fevereiro o acontecimento de maior significado cultural, de entre os poucos existentes, será a nosso ver o regresso às 21h, no Ciclo Músicas do Mundo, ao palco do Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian (onde estivera em Março de 2012 com um programa de Sonatas para Violino e Piano de Beethoven) da afamada violinista russa Viktoria Mullova, conhecida pelo seu interesse pela música barroca e pela interpretação de época, dita autêntica.

4 julian_joseph   Contudo neste concerto que intitulou “The Peasant Girl” – o nome do duplo CD que editou em 2011 (Onyx Classics), a violinista, que virá acompanhada de seu marido Matthew Barley violoncelo (foto dir.) que dirige o “Matthew Barley Ensemble”, a que pertencem os restantes músicos presentes,  Julian Joseph piano (foto esq.), SamWalton e Paul Clarvis, ambos percussionistas, vem decidida a mostrar uma faceta claramente distinta da anterior e tradicional, revelando um eclectismo musical que a leva até às influências Contemporâneas oriundas da música de fusão e experimental.  

Mullova_packshot_V7   Diz a própria : «O critério inicial para a escolha da música a incluir neste programa foi, simplesmente, que gostássemos dela”. Contudo, à medida que o programa foi tomando forma, emergiram certos temas como o do mundo cigano e do Jazz. Estes temas pareciam apontar para uma direcção “Peasant” (termo com raiz no francês pays ou seja “terra”). Daí que a Hungria esteja presente com Kodaály e Bartok, e quase toda esta música reflecte, de certa forma, a incrível influência cigana em largas faixas de música do século XX – de tal forma que, quando mergulhamos profundamente num trabalho como o monumental duo para violino e violoncelo de Kodály, em vez de o ouvirmos como “música clássica com influência cigana” podemos ouvi-la como “música cigana a que foi dada um inteligente conjunto de roupagens” que não mudam, contudo, o coração que permanece dentro delas».

   O programa inclui, assim, as seguintes obras de :

      Bratsch arr. Barley  –  Bi Lovengo

      John Lewis/Bratsch arr. Barley  –  Django

      Bela Bartok trans. Barley – 7 Duos para violino e violoncelo

      Zoltán Kodály  –  Duo para violino e violoncelo op. 7 (1914)

      Weather Report (Joe Zawinul) arr. Barley – Pursuit of the Woman With the Feathered Hat

      Matthew Barley/Russian Trad – Yura

      Weather Report (Joe Zawinul) arr. Barley – The Peasant

      Du Oud arr. Barley – For Nedim (Para Nadia)

 

   Damos-lhe aqui a ouvir a primeira peça do concerto “Bi Lovengo” oriunda dum grupo cigano francês dos anos 80/90 “Bratsch” e em seguida o 1º andamento do tal «monumental» “Duo para violino e violoncelo” de Kodály, ambas tocadas na apresentação ao vivo do álbum no Holland Festival em Amsterdão.

    

   

   Outros temas do mesmo álbum estão generosamente disponíveis no YouTube (a quem agradecemos) como “Django” em  http://youtu.be/rT6Ro7CeodA  ou  “Pursuit of the Woman With the Feathered Hat” em  http://youtu.be/gujw_U0uR5k

 

 

 

7 joana machado   O outro evento musical de algum relevo nesta Quarta-feira 6 de Fevereiro é o “Concerto Antena 2” que terá lugar na Fundação Portuguesa das Comunicações (e Museu) (Rua do Instituto Industrial nº 16, ao Cais do Sodré), às 19h, onde a jovem cantora de jazz (e não só) Joana Machado abordará temas do seu recente álbum “Blame it on my Youth”.

   Explica a cantora (verão no vídeo abaixo) que o título do velho standard  de Oscar Levant traduz como que “um regresso às origens” e que neste projecto “o jazz abraça a pop, o rock, a soul e o R&B”, estilos em que Joana Machado deu os seus primeiros passos. Encarna aqui os temas da sua juventude (Stevie Wonder, The Doors, Pearl Jam, Radiohead) e as canções da actualidade (James Blake, Feist).

   No palco do Auditório estarão, além de Joana Machado  voz,  Bruno Santos  guitarra,  Óscar Graça  piano/teclados,  Bernardo Moreira  contrabaixo e  Alexandre Frazão  bateria.

   Os temas de “Blame it on my Youth” previstos interpretar serão :

   1 – Wilhelm Scream de James Blake, arr. Joana Machado, 2 – Quest for Gold, 3 – Polly dos Nirvana, arr. Joana Machado, 4 – Do you Know de Joana Machado, 5 – EvenFlow, 6 – Tyrone de Erykah Badu, arr. Joana Machado,  7 – Infatuation,  8 – Sealion (The Water) de Feist, arr. Joana Machado, 9 – Truths and Lies, 10 – Tango, Fado, Morna, Blues e  11 – I can’t help it.

 

   O vídeo que lhe trazemos explicita a génese daquele CD, com diversos exemplos musicais gravados ao vivo no Centro de Artes de Sines em 2012 :

 

   Temas diferentes, mas também do concerto, podem ser escutados nestes registos obtidos na discoteca Lux, tais como Polly dos Nirvana (arr. Joana Machado) http://youtu.be/-eSTzhFxYAc  ou Infatuation  http://youtu.be/IwaVmdc68Rs .

 

  

   Por último, voltamos a lembrar exposições cujo encerramento se aproxima perigosamente (!…).

   Uma, intitulada “Um chá para Alice encontra-se no Edifício Sede da Fundação Calouste Gulbenkian, tem a curadoria de Ju Godinho e Eduardo Filipe e encerra no próximo Domingo 10 de Fevereiro, estando aberta das 10 às 18h (excepto no Sábado 9 em que encerra às 16h30).

   Partindo do clássico de Lewis Carroll, a exposição “Um Chá para Alice” reúne as ilustrações originais de algumas das mais aclamadas versões contemporâneas deste conto intemporal,  numa sugestiva diversidade de estilos, abordagens, sensibilidades, escolas e técnicas de ilustração.

   Estão representados alguns dos melhores ilustradores para a infância contemporâneos como Lisbeth Zwerger (Áustria), Dusan Kallay (Eslováquia), Anthony Browne (GB), Chiara Carrer (Itália), Anne Herbauts (Bélgica), Nicole Claveloux (França) e Teresa Lima (Portugal).

   Reproduzimos abaixo imagens de Anne Herbauts (Bélgica), Vadimir Clavijo (Rússia) e Iban Barrenetxea (Espanha) retiradas do site da FCG a quem agradecemos a cedência.

  8 anne herbauts, bélgica 9 vladimir clavijo, rússia 10 iban barrenetchea, espanha

 

 

 

   Outra exposição que igualmente termina no Domingo 10 de Fevereiro tem por nome “Un Certain Malaise” do músico (e também fotógrafo) Rodrigo Amado e encontra-se na Sala do Cinzeiro 8 do Museu da Eletricidade da Fundação EDP.

11 un ccertain malaise   A exposição deste nome conhecido do jazz de vanguarda nacional compõe-se de uma série de imagens captadas em Moscovo, Varsóvia, Berlim e Copenhaga, inspiradas no universo de Helberto Helder. Estas fotografias fazem parte de um livro intitulado “Un Certain Malaise”, uma crónica visual com textos inéditos de Gonçalo M. Tavares, editado também a 29 de novembro pela Assírio & Alvim / Documenta.

   Sobre ela escreve João Pinharanda, programador cultural da Fundação EDP : “O conjunto de duas dezenas de fotografias estabelece um percurso urbano que podemos imaginar coeso. Como se as imagens coleccionadas nos levassem a percorrer (vendo, ouvindo, agindo) as diferentes cidades que existem numa mesma cidade subjectiva. E há estratégias de fixação imediata (visual) do tema e estratégias de desenvolvimento sequencial (narrativo/musical) desse mesmo tema que Rodrigo Amado explora – poderemos perceber melhor os sentidos destas imagens sabendo que «Os Passos em Volta», de Herberto Helder, foi a obra de onde partiu e aonde chegou esta sua viagem interior”.

           12 berlim 2008       13 berlim 2008 (2)

             14 moscovo 2008 2         15 moscovo 2008 1

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Segunda aqui)

 

 

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