A HISTÓRIA PODE DAR ALGUMA AJUDA – “Muda-se o ser, mudam-se as confianças” – IX – por Carlos Leça da Veiga

II – “Muda-se o ser, mudam-se as confianças”

Se os tempos parecem mudar, o que, felizmente, tem mudado e tem tido um reflexo sócio-cultural cada vez mais profícuo foi – é – no mundo, ter passado a haver um número maior de Homens e Mulheres que, de passo em passo, por força das suas vontades renovadas, assumiram mudar o seu ser e, também, como consequência, a mudar a sua confiança. Nesses novos moldes passaram a perspectivar, dum modo mais adequado, mais ambicioso e mais firme o entendimento do significado da justiça social e, até, de como saber conquistá-la. Ao esforçarem-se por exigi-la – foi o que mudou no mundo – fazem que, com isso, de facto, só as aparências sejam outras.

O objectivo mantém-se – a estratégia é a mesma – a táctica é que varia e, como assim, quantas vezes, as aparências até podem pintar a realidade.

A estratificação social que é imposta pela redistribuição viciada da renda obtida pelo trabalho se, ao longo dos milénios, tem gerado uma soma imensa de atropelos sociais e, consequentemente, de injustiça social tem, por igual, aberto horizontes mais vastos e melhor fundamentados para o aperfeiçoamento – a tal contradição favorável – da trilogia política fundadora da contemporaneidade: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

A quantidade dos estímulos altera a qualidade das respostas e essa mesma retroage avolumando a soma dos primeiros, uma conclusão fundamental que, com mais outras três, desde o século XIX, tem permitido antever-se a certeza dum caminhar inexorável – mesmo que imensamente lento – para vir a conseguir-se a justiça social. Nos termos mais latos, poder passar-se do regime da troca para o do uso.

Infelicidade nossa, só muito lentamente, e quantas vezes com recuos indesejáveis, é que a justiça social consegue antever luz no fundo do túnel. Num número incontável de vezes – e isso é uma cruz difícil de carregar – tem de viver-se na desilusão de não ter conseguido dar em frente o passo mais desejado.

Em todos os casos, seja como for, no cômputo geral, deu-se.

Mesmo aqueles episódios que, a seu tempo, foram rotulados de pouco penetrantes, de muito limitados, nada influentes e bastante efémeros, até esses, pela sua soma – é inevitável – acabam por jogar em favor da busca da justiça social e do seu indissociável bem-estar social.

Na História da Humanidade, o combate por essa justiça, mesmo quando tem de ter recuos, não pode é aceitar que, em quaisquer momentos, possa prevalecer o espírito de retirada.

Tudo somado, quem tem ganho?

Sobretudo, mais interessante, quem tem perdido?

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