EDITORIAL – O ACORDO ORTOGRÁFICO

Imagem2Os editoriais marcam, em princípio, a posição oficial de uma publicação. Os nossos editoriais, salvo nas edições temáticas, são escritos alternadamente por um dos dois coordenadores do blogue e não raro o diário de bordo apenas reflecte a opinião do coordenador de serviço sobre o tema em apreciação.

Como já devem ter percebido, evitamos os temas fracturantes – como, por exemplo, o do futebol discutido numa  óptica clubista. Nas críticas à política neoliberal dos governos PS e PSD, existe um consenso de repúdio, pese embora a presença de alguns ,militantes do PS entre nós. As críticas à Igreja Católica, à estrutura, à hierarquia e não à fé cristã, são também de aceitação geral, pese embora a presença de católicos praticantes entre nós. A condenação do centralismo castelhano e a existência de nações subjugadas no interior do estado espanhol, com matizes diferentes, é também de aprovação quase geral, pese embora a presença entre nós de quem aceita a existência de Espanha como estado supranacional. E podíamos dar mais exemplos em que as perversões das ideias são denunciadas, respeitando-se quem, de boa fé, professa as ideias.

Agora que há factos novos sobre o assunto, pensamos que seria útil discutir de novo o Acordo Ortográfico. Quando há mais do ano o discutimos, não teremos chegado a conclusões, mas demos oportunidade de se esclarecerem posições – entre os que se pronunciaram, verificou-se, desde um apoio incondicional às bases do AO até à liminar recusa da sua adopção, passando por uma relativa indiferença face ao documento. Sabendo-se  à partida que não é possível obter um consenso, o que se pretende é que cada um tenha oportunidade de expor as razões por que aprova, recusa ou é indiferente ao Acordo. Não se chegará a conclusões comuns, mas perceber-se-á melhor o que motiva cada uma das posições. Não se trata de provar que se tem razão, mas de apresentar as razões que levam a que se defenda a aprovação ou a recusa. Se, no final, tivermos ideias mais claras sobre o que pensa quem não pensa como nós, o debate terá sido útil.

Leave a Reply