V – “Continuamente vemos novidades
diferentes das nossas esperanças”
Se os revolucionários da Marinha Grande não mudaram o mundo, deram um contributo valioso para a mudança das vontades que, essas, á medida do decorrer dos tempos e, também, dos seus acontecimentos mais significativos, só passaram a ser diferentes na sua forma e, muito significativo, no aumento dos aderentes.
Agora, nos dias em curso, para limitar-se drasticamente o exercício democrático da cidadania e, declaradamente, para querer eternizar-se a cadeia da exploração económica da população, já são outros os recursos técnicos da repressão. Nos tempos actuais, a opção da reacção neoliberal – veremos se resulta – é a de usar a asfixia económica da maioria da população. O terrorismo económico, agora em serviço, é uma arma poderosa e o seu uso, pela maioria parlamentar deste início da segunda década do século XXI, está a liquidar a esperança de melhores dias como, por exacto, o 25 de Abril trouxe aos portugueses.
Instalar a opressão política, ontem como hoje, para os possidentes continua a manter-se como o propósito mais necessário para garantir a sua dominação política, para mais quando, com isso, sabem estar a prestar, com agrado desmedido, um serviço de subserviência aos seus patrões da finança internacional.
Na aparência das coisas, para muitíssimos, tudo parece diferente dos anos trinta do século passado, porém, será necessário recordar-lhes estarem, como no transacto, a dar-se passos repressivos sobre a População – outra vez, os tais passos atrás – só que desta vez, tal é a hipocrisia do Governo nacional, ao invés dos passados anos trinta, é feita a exaltação das práticas democráticas do regime.
Quaisquer dessas modalidades de intimidação aparecem associadas aos ditames – bem aceites pela maioria parlamentar – das políticas, económicas e financeiras impostas pelas exigências do capital financeiro alienígena mas que, nos dias de hoje, sem qualquer rebuço, são apresentadas como salvadoras duma iminente catástrofe financeira nacional. Agora, há uma sofisticação que sabe exercer a violência doutra maneira mas, não esquecer, continua a ser violência. Usa-se o terrorismo político como arma de intimidação. Anuncia-se a iminência duma falência financeira – duma banca rota – para que a população atemorizada aceda, de braços cruzados, ao exercício da vontade política dos possidentes, tanto dos de dentro como, em especial, dos de fora.
Entre impor o corporativismo e, a seu par, encerrar-se uma organização sindical ou, como agora, mandar entregar-se o viver nacional às ordens da finança internacional há – disso não tenho dúvidas – uma diferença considerável, porém, o que está em causa é, como no salazarismo, voltar a roubar direitos sociais e financeiros aos que vivem do seu trabalho e, sem qualquer explicação válida, dar réditos volumosos aqueles que beneficiam do capital financeiro.
Para um caso, como para o outro, a resposta só pode ser a da revolta e, jamais, a da resignação.
Se em 1934 podia dar-se como certo que as Forças Armadas estavam, ainda, muito ligadas ao Movimento do 28 de Maio de 1926 e, assim, como em 1926 e 1927, também não dariam apoio aos revoltosos da Marinha Grande, agora, as coisas parecem diferentes. O espírito do 25 de Abril, apesar de tudo, ainda tem muito crédito entre os militares. Foi uma sua obra revolucionária referendada de imediato pela adesão entusiástica, efervescente e transbordante da População que, se nesta deixou uma lembrança sentida e difícil de apagar-se, também, nas Forças Armadas prossegue como um património de cujo orgulho, sabe-se, ninguém deseja abdicar. Cabe à População mudar o rumo das suas manifestações e saber dirigir-lhes um pedido da ajuda que, de facto e de razão, só deles pode vir.
Se está em causa a destruição do 25 de Abril, está em causa, principal e decididamente a defesa da Soberania Nacional, a do respeito pela Constituição, a da manutenção da Democracia e, importantíssimo, a da sobrevivência humanamente digna de muitos milhares de desempregados, de pensionistas e de reformados que, todos eles, sem qualquer protecção social, estão completamente vitimados pela frieza e pela soberba duma maioria parlamentar que, tem de dizer-se, é nazi de sua índole.

Demano disculpes d’antuvi per si he llegit o interpretat malament l’article, però no em puc estar de fer-hi dues observacions. La primera amb referència al que em sembla una crida a la intervenció de les Forces Armades apel·lant a la memòria del protagonisme que van tenir en el moviment revolucionari del 25 d’Abril. Des de la distància i amb tota la prudència que m’exigeix el fet de parlar d’una realitat que no conec prou bé, crec que es comet una inversió de valors que no deixa de ser injusta: mai, i crec que tampoc a Portugal, la població s’adhereix a una revolució; la població “fa” la revolució i tria o accepta els seus líders. El 25 d’Abril va ser un fet gloriós, però si la població no hagués assumit el moviment amb entusiasme revolucionari, no hauria deixat de ser un cop militar. Crec que, per coherència política, el poble no ha de cedir mai la iniciativa a l’exèrcit. No hi ha cap garantia que els qui es disposin a salvar el país ho facin amb la generositat i la dignitat democràtica d’un determinat moment històric, singular i extraordinari. Si les Forces Armades s’adhereixen a la causa popular, si en un moment donat fan seves unes reivindicacions que la població sent com a pròpies o per les quals ha lluitat i s’hi posen al capdavant, si fan caure un dictador… la història els ha d’atorgar el mèrit de la dignitat, però no els pot atorgar cap patent de cors per salvar la pàtria cada vegada que van maldades. La sobirania política no la tenen els polítics, ni les forces armades. La té la població, i és la població la que ha d’exercir-la. I la responsabilitat dels polítics i de les forces armades és subsidiària de la sobirania popular.
Potser, com diem per aquí, estic pixant fora de test, però he entès el que he entès i és en funció d’això que proposo aquest argument. Si m’equivoco, reitero les meves disculpes.
La segona observació que volia fer es refereix a l’ús indegut de la paraula “nazis”. Crec que utilitzar el concepte fora del marc històric específic contribueix a trivialitzar-lo i a trivialitzar també la denúncia contra la qual l’emprem. Hi ha un bon grapat de qualificatius per descriure el malgovern i l’actuació nefasta dels mals polítics. Però, darrere dels mals polítics hi sol haver un poble que ha delegat més del que calia. I si els mals polítics es perpetuen, hi ha al darrere l’abdicació popular del compromís cívic i de les conviccions democràtiques. I d’aquesta abdicació crec que se’n deriva la desmoralització i la manca de confiança en la sobirania popular que ens empeny a demanar líders i salvadors.
Si es transigeix una vegada amb el fet de donar a la iniciativa a qui no li pertoca, ni que sigui en recordança d’un fet gloriós que honora una nació, en què les Forces Armades van encertar a capitanejar un esclat de dignitat democràtica, com es tornarà a recuperar la salut democràtica? Què ens posarà a recer dels perills de noves dictadures? I si de tothom diem que és un nazi, perquè són incompetents, submissos a les oligarquies i al capital, prepotents, despectius, corruptes, indiferents, insensibles o tirànics, com podran llegir la història del nazisme les generacions que ens segueixen, i nosaltres mateixos, en la seva terrible dimensió? I com podrem establir correctament les analogies històriques per llegir el propi context històric?