Os tempos que se vivem arrastam consigo a pobreza das relações interpessoais. Nas grandes cidades vive-se rodeado de gente e cada vez se comunica menos. Está a viver-se o tempo das multidões solitárias, em que não é raro um indivíduo passar indiferente diante de um seu semelhante caído na rua, ou barafustar perante o “azelha” que deixou ir o carro abaixo, ou até que teve o azar deter uma avaria na rua por onde outros circulam.
Habita-se num prédio onde vivem outras pessoas e na maior parte dos casos a comunicação não vai além de bom dia, boa tarde ou boa noite e evita-se chegar ao mesmo tempo que o vizinho ao elevador para não ter que subir ou descer com ele.
Na família a relação também desceu significativamente. Apesar de nunca como hoje se dispor de tanta e tão rápida informação, chegando-se ao ponto de saber o que de mais significativo se passa no mundo e, paradoxalmente, não se saber o que se passa com os que estão mais próximos e habitam o mesmo lar. É frequente muitos pais só se darem conta de determinados problemas dos filhos quando eles já são irreversíveis.
Cada vez se escuta menos. Confundem-se as palavras ouvir e escutar, considerando-as muitas vezes como sinónimos, mas há uma distância grande entre as duas palavras. Ouvir é receber os estímulos sonoros que chegam aos ouvidos é um processo passivo. Escutar implica compreender o que é dito. Pode-se ouvir sem escutar, mas não se pode escutar sem ouvir. Escutar é um processo ativo que consiste na interpretação do que o interlocutor disse e implica entender aquilo que está a ser comunicado. Escuta ativa, implica atenção, esforço, concentração e pressupõe a compreensão de dois componentes: o conteúdo da mensagem, que é o mais evidente e mais específico, e o sentimento e a atitude subjacentes a esse conteúdo. Escutar ativamente não é pois uma tarefa fácil e para se conseguir é necessário cuidar das reações àquilo que nos é dito.
De um modo geral, quando nos dizem alguma coisa, entendemo-la segundo o nosso ponto de vista, e não o de quem fala. Inconscientemente ou não, questionamo-nos: Estou de acordo com o que é dito? Daí à formação de juízos é um passito, e por norma a nossa resposta não vai ao encontro do que nos foi dito, mas sim no sentido de fazer prevalecer o nosso ponto de vista. Queremos influenciar e a partir daí é natural que o nosso interlocutor se ponha na defensiva
O aumento da capacidade de escuta, é seguramente uma passo importante para tornar mais rico o relacionamento interpessoal
