EDITORIAL: A BRUTALIDADE

Diário de Bordo - II

Uma senhora, Tahani Khalil Ghemati, arquitecta e escritora, num post no blogue intitulado Não te esqueças de regar a tua oliveira (ver o endereço

http://www.agendaculturel.com/

Chronique_Tahani+Khalil+Ghemati_

La_Libye_invente_l_infidelite_Hallal)

conta-nos que no seu país natal, a Líbia, o Supremo Tribunal acaba de suprimir a interdição de o marido ter uma segunda esposa sem o consentimento da primeira. Põe grandes interrogações sobre o significado e as consequências desta alteração, com enormes implicações nas famílias, na educação e na vida do país em geral. Pergunta se o passo seguinte não será a proclamação de uma república islâmica semelhante à que existe no Irão. Refere ainda que, recentemente, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, esteve na Líbia numa visita de surpresa e declarou. “Somos vossos amigos (…) Queremos trabalhar com vocês, ao vosso lado, para construir um democracia próspera, segura e estável aqui na Líbia”. Tahani Khalil Ghemati pergunta: a quem se dirigia ele? À indústria petrolífera? Ao povo líbio? Às mulheres líbias? Remata exprimindo o seu desgosto pela falta de neurónios do que designa “um bando de cretinos que só vê as coisas através de uma lente falocrata”.

A frase talvez seja excessiva, mas é compreensível tendo em atenção a situação das mulheres no mundo árabe, que parece cada vez mais vulnerável. Entretanto é particularmente interessante a referência a David Cameron, um dos responsáveis pela chamada revolução que derrubou o coronel Khadafi. O primeiro-ministro inglês evidentemente que não se dirigia a ninguém em especial, a não ser talvez ao eleitorado britânico, do qual se procura esconder que a intervenção na Líbia, foi apenas para favorecer os interesses ocidentais (da oligarquia dominante ocidental, melhor dito), e que uma das suas consequências principais foi o aumento da influência do clero islâmico mais tradicional. Assim se controlou a Primavera árabe, para que ela não descambe numa Primavera socialista e libertadora, promotora da igualdade social, de género, étnica. Coisas que é bom que se perceba que pouco interessam a David Cameron e aos seus colegas dos outros governos ocidentais. Interessam-lhes pouco nos seus países e nada nos outros. E a história líbia prova que houve poucas mudanças neste campo, da parte dos colonizadores que têm subjugado o país, de há séculos para cá.

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

One comment

  1. Paulo Rato

    Louvemos as “primaveras árabes” e as florescentes – ou serão fluorescentes? – “democracias” que delas brotaram e nelas tão fremosamente foriram. À mãe!

    Gostar

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