NA PRÓXIMA SESSÃO DA NOITE – CONTINUAMOS A HOMENAGEAR EDUARDO LOURENÇO

Portugal foi nos séculos XV e XVI uma das nações mais avançadas da Europa – em Lisboa, que era uma grande cidade para os padrões da época,Imagem1 acotovelavam-se aventureiros vindos de todas as partes – o futuro passava por Portugal e pelos seus empreendimentos náuticos que implicavam estudos científicos e experiências inovadoras de comércio. Foi um tempo para sábios, heróis, usurários…  Alcácer Quibir selou o ataúde dessa grandeza e o acesso ao trono português pelos Habsburgo foi um dobre de finados para esse período áureo. Mas o eco dessa grandeza prolongou-se pelos séculos seguintes, atravessou o Iluminismo, acentuou-se no Romantismo e reflectiu-se no Realismo.  Episódios como o do Ultimato, acentuaram o clima de nostalgia depressiva – a choldra – o termo depreciativo com que se classificava a sociedade portuguesa so final do século XIX, tinha como referencial o período da grandeza  Em  O labirinto da Saudade, Eduardo Lourenço que, até a Eça de Queirós, figura de proa do Realismo na literatura – «os portugueses nunca se descentraram de um self norteador desta hiperidentidade maravilhosa e mítica».(…)«A cultura portuguesa não produziu nunca – pelo menos até Eça de Queirós – (…) um olhar exterior a si mesma que a acordasse, não de qualquer cegueira dogmática ou culposa, mas da contemplação feliz e maravilhada de si mesma. Todos os povos vivem, mais ou menos, confinados no amor de si mesmos, Mas a maneira como os portugueses se comprazem nessa adoração é verdadeiramente singular».

Na entrevista que se segue Eduardo Lourenço compara a crrise do século XIX com a actual.

 

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