EDITORIAL: BRUTALIDADE – DOIS

Diário de Bordo - II

 

Agora, quem for cortar o cabelo tem de trazer factura do barbeiro (ou do cabeleireiro!). Quem for comprar melancias também (ou uma torradeira para oferecer à sobrinha que está a montar casa!). Ou tomar chá com uma amiga (ou com um amigo!). Pois. Hoje de manhã, às 9.30, aqui na nossa Viagem dos Argonautas publicámos um escrito, E-factura, remetido pela Associação 25 de Abril, que terá sido escrito por alguém que acompanha de perto os assuntos relacionados com o uso da informática na gestão das empresas, e os reflexos das últimas disposições governamentais sobre a emissão de facturas no comércio.

Do que se conhecia da situação já se tinha compreendido ser intenção do governo pôr os clientes dos restaurantes, mercearias, barbearias, de tudo quanto mexe no chamado mercado (na vida de todos os dias) a colaborar no controlo de quem os abastece de produtos de primeira necessidade e de todas as outras coisas, com o pretexto de dificultar a evasão fiscal. Enfim, querem pôr-nos a todos a fazer de agentes do fisco.

Mas muitos de nós ainda não se tinham apercebido haver outro efeito (não será exagero classifica-lo como efeito perverso), referido pelo autor do texto: o governo, e quem com ele colaborar na supervisão da cobrança de impostos, fica no poder de dados que possibilitam outro controlo: o da nossa vida privada. Na realidade, numa sociedade em que tudo passou a ser uma mercadoria, em que tudo pode ser trocado por dinheiro, não existe melhor maneira de nos controlar do que nos obrigar a pedir factura. Já se escutam os telefones, agora controlam-se as facturas. Não eram estes senhores que condenavam  o totalitarismo comunista? Ou seriam só uns tios deles? A seguir vão privatizar o fisco, estão a ver. Para a seguir tentarem convencer-nos de que assim está tudo bem e totalmente seguro (para os donos de Portugal, claro). Que o privado é melhor que o público, Incluindo a devassa e o roubo.

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