O QUE DEVE SABER ANTES DE EMIGRAR – por Joana Domingues

Imagem2

A migração/mobilidade de indivíduos não se trata de uma simples mudança geográfica com consequências diretas para a estrutura e organização do espaço, tem também implicações sociais importantes. É importante ter em conta que as mobilidades humanas foram facilitadas com a melhoria das comunicações e transportes desde 1960. Além deste importante fator, torna-se necessário a aproximação teórica ao fenómeno migratório, refletir sobre as suas causas e consequências e perceber a sua importância no Ocidente e Europa.

Na Europa existe a perceção de que os fluxos migratórios refletem uma tendência “Sul-Norte” isto quer dizer que as migrações se realizam sobretudo dos países em vias de desenvolvimento para os países desenvolvidos, contudo e segundo estudos quantitativos realizados somente um terço dos 200 milhões de migrantes realiza a sua mobilidade nessa direção, é importante ter em conta que o fenómeno migratório é mais complexo que a abordagem presente na perceção comum, já que outro terço migra em sentido “Sul-Sul” ou seja, de um país em desenvolvimento para outro país em desenvolvimento. (Vitorino, 2007:20).

 Vivemos numa sociedade onde as novas tecnologias de comunicação e o desenvolvimento dos transportes nos permitem encurtar distâncias e aproximar-nos fisicamente, contudo é notória a existência de distâncias culturais, étnicas e sociais muitas vezes responsáveis por distanciar a humanidade e categoriza-la através dos espaços físicos que ocupam, e fronteiras que delimitam esses mesmos espaços.

 Segundo (Souvannavong: 2000:1) as nossas sociedades de bem-estar, hedonistas, narcisistas demonstram uma hipersensibilidade em relação ao fenómeno, na medida em que estão envolvidas por questões identitárias importantes, enquanto que para as gerações passadas, as preocupações eram outras (lutas sociais, guerras, fome). Podemos, segundo, as palavras do autor prever que a questão da migração e da confluência de distintas etnias, raças, culturas no mesmo espaço poderá conduzir nas próximas décadas a questões sócio-étnicas importantes. Encontramo-nos por isso, de frente a atos e comportamentos xenófobos e racistas, que nos levam a predicar a falta de programas de integração adequados que permitam a convivência e a gestão da diversidade cultural.

Tendo em conta o informe da comissão mundial sobre as migrações internacionais:

 “Os migrantes autorizados e a longo prazo devem integrar-se plenamente na sociedade. O processo de integração deve valorizar a diversidade social, fomentar a coesão social e evitar a marginalização das comunidades migrantes.” (2005: 19-25, Informe da comissão mundial sobre as migrações internacionais)

 

A integração de um imigrante no país de destino implica que exista uma interação saudável entre o próprio imigrante e a sociedade de acolhimento. Estão implícitos, uma diversidade de atores nesta interação, sendo além dos imigrantes, o próprio governo e instituições (Rinus Pennix, 2003).

 O indivíduo integrado conhece e faz uso dos recursos do seu meio social, demonstra-se ativo na vida do país em que vive. Os governos são responsáveis por tomar medidas adequadas, para que essa participação social se desenvolva, quer por parte dos nacionais, como dos próprios imigrantes, deste modo é prevenida a exclusão social.

 A falta de uma boa integração poderá traduzir-se na não participação do imigrante na sociedade de destino e do seu afastamento em relação à mesma. Existem duas desvantagens importantes nesta ação: a própria sociedade perde o benefício que os imigrantes poderiam dar com a sua contribuição a nível económico e social e o afastamento deste grupo da sociedade pode gerar uma ameaça para a segurança pública, na medida em que um grupo marginalizado poderá revelar a sua frustração de maneira perigosa.

                                                                                                         Joana Domingues

Mais sobre migração em:

Informe de la Comisión Mundial sobre las migraciones internacionales (2005) “Las migraciones en un mundo interdependiente: nuevas orientaciones para actuar” OIM, Global Commission on International Migration (GCIM) 47(4) 19-25.

Penninx, Rinus (2003) – “Integration: the Role of Communities, Institutions, and The State”, Migration Information Source.Fresh Thought, Authoritative Data, Global Reach, Migration Policy Institute (www.migrationinformation.org/Feature/print.cfm?ID=168).

SOUVANNAVONG, Juan David Sempere (2000) Geografía de la Migración- el hecho migratorio, MIM geografía tema, 1:19-22.

VITORINO, António (2007) Imigração: Oportunidade ou Ameaça, Introdução aos relatórios dos workshops realizados no âmbito do fórum Gulbenkiam Imigração, 2007, 1:20-21.

 

 

 

Leave a Reply