CRIME ORGANIZADO QUE REINA NO VATICANO LEVA BENTO XVI A RESIGNAR? – por Carlos Loures

Como já temos dito, aquilo a que se chama «teoria da conspiração» constitui uma das peças-chave do «pensamento único», ou seja da manipulação do raciocínio que impera na «aldeia-global». Parafraseando Pessoa, diríamos que perante a ridicularização da teoria, chega a parecer ficção a conspiração que deveras existe.

Desde há quase 600 anos que um papa não resignava. Gregório XII foi o último, em 1415. O Direito Canónico prevê a resignação  desde que assumida por vontade do papa. Apenas dele depende a decisão. Gregório XII renunciou no quadro de uma situação complicada – a do Grande Cisma do Ocidente – com outro papa, Bento XIII, sediado em Avinhão. Porém, basicamente, as razões profundas da crise de 1415 são as mesmas da actual – corrupção e crime organizado. Os motivos alegados por Ratzinger – falta de  saúde e desacordo quanto a novas realidades da vida social, – por exemplo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo – poderão ter pesado, mas não foram decisivos. A cúpula da basílica de São Pedro parece albergar mais gangsterismo do que Nova Iorque na época da Lei Seca.

 João Paulo I terá querido pôr termo ao controlo que o Opus Dei exerce desde há décadas sobre a Igreja. Ao cabo de 33 dias, o seu pontificado terminou da pior maneira – um infarto foi a causa oficial – as hipóteses de um assassínio são bastante credíveis. A questão do Banco Ambrosiano, onde era lavado o dinheiro proveniente de actividades criminosas, parece ter estado no cerne da questão. Luciani, João Paulo I, foi substituído pelo polaco Woityla. João Paulo II, que terá esboçado a intenção de empreender a limpeza a que Luciani se dispunha proceder. O turco Ali Agca alvejou-o na Praça de São Pedro e lembremos que a máfia turca estava relacionada com as actividades do Ambrosiano. Gente envolvida no escândalo foi assassinada ou suicidou-se. João Paulo II abandonou a cruzada e dedicou-se a outros objectivos. Joseph Ratzinger resigna para não ter um fim semelhante ao de Luciani.

Em posts anteriores temos falado da teia de interesses tecida à sombra da Igreja Católica. Desde a doação feita por Mussolini a Pio XI, das ligações de Pio XII aos regimes fascista e nazi e também da crise recente desencadeada pela divulgação, já em 2012, da carta do arcebispo Carlo Maria Viganò ao papa e onde dizia que no Vaticano “trabalham as mesmas empresas, ao dobro (do custo) de outras de fora, devido ao facto de não existir transparência alguma na gestão dos contratos de construção e de engenharia”. Um comunicado oficial afirmou que as denúncias resultavam de “avaliações incorrectas”.

 A situação agravou-se com a prisão de Paolo Gabriele, o mordomo do papa acusado de desviar documentos sigilosos de Bento XVI e de colaboradores. Poucos dias depois eram divulgados pela comunicação social. Divulgação que não terá sido obra exclusiva de Paolo. Na sombra, como os criminosos, mas com mais razões para se ocultarem, há um pequeno grupo de gente da hierarquia que enfrenta o gangsterismo actuante no Vaticano. Ratzinger terá compreendido que não tinha forças para combater a rede criminosa e no próximo dia 28 de Fevereiro abandona a chamada cadeira de São Pedro, cadeira que, para quem não pactuar com o crime, se pode transformar numa cadeira eléctrica. É o que se diz.

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