Pentacórdio para Terça-feira 26 de Fevereiro

por Rui Oliveira

 

   A Terça-feira 26 de Fevereiro é francamente parca em oportunidades culturais, podendo apenas destacar-se duas ou três de entre elas.

 

   Respondendo a um desafio do Teatro Municipal Maria Matos, em cuja Sala Principal, às 22h, o espectáculo se realiza, Filipe Felizardo (guitarra eléctrica), partilhando com Margarida Garcia (contrabaixo eléctrico) e Ricardo Dillon Wanke (sintetizador), constroem a peça “Três sombras para um cego” onde “juntos se propõem jogar entre tempo, textura e volume, enquanto colhem semelhanças e incongruências com os timbres dos seus instrumentos” (do programa).

487978_10151369182713393_542244567_n   Dizem os analistas do seu trabalho musical, que “… em Filipe Felizardo, tanto em disco como ao vivo, (há) um acto contínuo de busca, como se houvesse uma interrogação autoimposta a que interessa urgentemente responder. Esta perscrutação, trazida pela sua prática nas artes visuais, integra uma metodologia sonora hiperorganizada, deixando-nos crer que qualquer hipótese é sempre verificada e aceite além de qualquer dúvida.

   Durante muito tempo, … Felizardo perseguiu implacavelmente o drone nas guitarras eléctricas, fascinando-o toda a sua tensão (e emoção) manipulável. Esse conhecimento cada vez maior do drone e do sustain ― que sempre ouvira na génese dos blues ou na música de John Fahey e Max Ochs ― leva-o a perceber que também o riff pode abarcar semelhantes qualidades. Felizardo conclui que tudo deriva de um só ponto, numa espécie de genealogia abrangente da guitarra …”.

   É este o som do teaser divulgado sobre a sua obra recente (2012), e a sua primeira edição oficial, “Guitar soli for the Moa and the Frog” :

 

   Pode ouvir-se um trecho mais longo da sua música em http://youtu.be/mGRmxqcZ0DY  , bem como é possível, nesta entrevista ouvir as razões que motivam o seu trabalho  http://youtu.be/jq1gUBZUmyY

 

 

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   Nesta Terça-feira 26 de Fevereiro, o Teatro Nacional DªMaria II, através da sua TEIA, inicia um programa diversificado de exposições para dar a conhecer aspectos menos conhecidos da história do TNDM II e do Teatro português e mundial através da utilização de materiais do espólio e documentação disponíveis na sua Biblioteca-Arquivo.

ana hatherly 02   A primeira, de 26 de Fevereiro a 28 de Abril e com entrada livre, tem como título “Ana Hatherly: No princípio está o gesto” e abordará a obra visual da conhecida escritora e artista plástica (hoje com 83 anos), numa parceria com o Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado e curadoria e texto de Adelaide Ginga (MNAC-MC).

   Nesse texto se diz :

   «Em Ana Hatherly, no princípio está o gesto. Ele é a génese e todo o trabalho resulta de um retorno à origem. Nesse processo erudito de descoberta da origem, a artista desenvolveu uma linguagem própria, como se de um novo alfabeto se tratasse, em busca da autenticidade. É essa autenticidade que encontramos nos trabalhos desta exposição. Um percurso de quatro décadas que revela o intenso processo criativo da artista, através de obras da coleção do MNAC – Museu do Chiado e da coleção AR.CO, algumas até hoje inéditas».

   Como nota biográfica breve  junta-se:

   Ensaísta, ficcionista, poetisa, artista plástica e professora universitária portuguesa, Ana Hatherly nasceu em 1929, no Porto. A sua carreira literária teve início com a publicação do livro de poesia Ritmo perdido (1958). A sua obra revela uma pluralidade inventiva, onde tenta conciliar a literatura, sobretudo a sua poesia de pendor barroco, com as artes visuais (desenho, colagem, pintura).

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   Concomitantemente, na TEIA do Teatro Nacional DªMaria II, o seu programa de leitura de poesia e contos, habitualmente seleccionados a partir de um tema ou da obra de um autor com o propósito de fomentar o prazer da leitura e da audição da palavra poética, a par da descoberta de novos mundos ficcionais, incidirá nesta Terça-feira 26 de Fevereiro, às 19h, sobre “Ana Hatherly – As Palavras de Ana”. A selecção de textos será de Paula Morão e a coordenação da leitura caberá a João Grosso, nela participando Jorge Albuquerque, Lita Pedreira, Luís Geraldo e Maria Jorge.

   A sessão, de entrada livre, terá lugar no Salão Nobre do TNDM II, havendo nova sessão a 26 de Março sob o título “Ana Hatherly – O Poeta é”.

 

 

   Quanto a cinema em ciclos especiais, o Instituto Cervantes no seu ciclo Cine de la Republica Dominicana exibe duas películas na seu Auditório da Rua de Santa Marta, nº 43 r/c.

un passaje de idaAgliberto Meléndez   Às 17h, projectar-se-á “Un pasaje de ida” (República Dominicana, 1988) de Agliberto Meléndez  (foto) (fundador da Cinemateca Nacional) sobre os jovens subempregados dos bairros pobres de Santo Domingo que sonham com emigrar para os Estados Unidos esperando encontrar êxito e riqueza.

   Baseado na realidade amarga das viagens ilegais, o filme parte dum facto real sucedido em 1980 quando vários dominicanos morreram asfixiados dentro dum contentor do navio Regina Express.

   Filmado num estilo neo-realista, beneficiou da reprsentação de jovens actores (de Ángel Muñíz, Carlos Alfredo Fatule, Horacio Veloz, Miguel Bucarelly, Rafael Villalona, Víctor Checo, María Castillo, Giovanny Cruz, Teresita Basilis a Ángel Haché ) interessados em proporcionar ao cinema dominicano um pendor de denúncia social das condições de vida dos povos latino-americanos.

Yuniol

alfonso rodriguez 1yuniol   Às 18h30, exibe-se “Yuniol” (República Dominicana, 2007) filme de Alfonso Rodríguez (foto), protagonizado por Frank Perozo (Junior), pelo cantor portorriquenho Shalim Ortiz (Yuniol), filho da popular artista dominicana Charityn Goyco (que también actua), bem como outra conhecida “rainha do merengue” Millie Quezada, e ainda Cuquin Victoria e Hemke Madera.

   Sinopse : Graças a uma bolsa, Juan Pérez, mais conhecido por Yuniol, tem a oportunidade de estudar na mesma universidade de Juan Alberto Rios. Apesar de pertencerem a diferentes classes sociais, surge entre eles uma grande amizade.

   É este o seu filme-anúncio :

 

 

 

   Por último, lembramos (como é nosso uso) o encerramento a 27 de Fevereiro (Quarta-feira próxima) da exposição na galeria Cristina Guerra Contemporary Art (Rua de Santo António à Estrela, nº 33) do artista californiano Matt Mullican (com ateliers em Berlim e Nova Iorque) intitulada “A Single Line”.

large_l1010158a   Diz a Nota de Imprensa que «… para a sua quarta exposição na Galeria Cristina Guerra, Matt Mullican propõe o conceito simples de uma única linha desenhada, como a Arquitectura comum que une os trabalhos presentes.

   Para esta exposição (ao invés das anteriores , lidas como mapas gigantes descrevendo a relação do sujeito com a Arte e o Mundo) o artista traz de volta este dispositivo de forma a unir e ilustrar imagens e objectos recentes. A linha única é também uma forma de redefinir o que é possível em articulação com as suas últimas exposições na galeria. Quase todo o trabalho será modesto em escala e tudo será disposto numa linha na parede.large_l1010115a

   A linha é sintaxe, estrutura, contexto e, de alguma forma, ela representa “pensamento linear”. Na Suíça, numa exposição recente com o título “Who Feels the Most Pain”, Matt Mullican utilizou uma linha desenhada para ligar imagens em diferentes media. Desde decalques, notas, pinturas, objectos a bandeiras miniaturizadas, tudo foi incorporado e disposto numa fila, sob a lógica de que percebemos de formas diferentes a imagem de um homem numa fotografia e o desenho de um homem num pedaço de papel.

   Entre os formatos das imagens exibidas estarão incluídas fotografias, fotocópias, decalques, caixas de luz, colagens, desenhos, pinturas, etc.».

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(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Domingo aqui)

 

 

 

 

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