Pentacórdio para Quinta-feira 28 de Fevereiro

por Rui Oliveira

 

 

 

OG imagem melhor e reduzida   Para continuar a celebração dos “50 Anos da Orquestra Gulbenkian”, o departamento Gulbenkian Música decidiu convidar o conhecido maestro belga René Jacobs (colaborador de longa data, nomeadamente ao dirigir Così fan tutte no Festival Mozart) para chefiar a Orquestra Gulbenkian, pela primeira vez num programa clássico, juntamente com o jovem clarinetista virtuoso e compositor alemão Jörg Widmann.

   Será nesta Quinta-feira 28 de Fevereiro, às 21h, no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, onde o programa inclui de :

 

      Joseph Haydn  Sinfonia nº 104, “Londres”

      Wolfgang Amadeus Mozart  Concerto para Clarinete e Orquestra, K. 622

      Franz Schubert  Sinfonia nº 6, D. 589

 

rené jacobs - Copy   De René Jacobs (foto esq.) saiba-se que começou por se destacar como cantor (chegando a eminente contratenor) por impulso de Gustav Leonhardt e dos irmãos Kuijken, entre outros, e, para o culto da música barroca, fundou o Concerto Vocale (1977). Depois enveredou para maestro pelo que dirigiu aaté hoje inúmeras orquestras (com destaque para Concerto Köln, Orchestra of the Age of Enlightenment, Akademie für Alte Musik Berlin, Freiburger Barockorchester, Nederlands Kamerkoor e RIAS Kammerchor ) e óperas, sendo hoje director artístico do Festival de Innsbruck e Maestro Convidado Principal da Ópera Estadual de Berlim e tendo recebido numerosos prémios, não só pelos espectáculos que concebeu como pelos álbuns que gravou (Grand Prix du Disque, Deutsche Schallplattenpreis, Grammophone, Grammy e Midem Classical).

   Não encontrámos registos em vídeo de nenhuma das peças do programa pelo que relembraremos a Abertura das “Bodas de Fígaro” quando Rene Jacobs dirigiu o Concerto Köln em 2009 no Théâtre des Champs-Elysées (Paris) :

 

 

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   Jörg Widmann (foto dir. baixo), que começou os seus estudos de clarinete aos sete anos, iniciou-se na composição aos oito com Kay Westermann e é hoje professor nessa área no Institute for New Music do Freiburg Music College, tendo editado já mais de trinta obras e um CD exclusivo (“String Quartets”).

   Não tendo gravado a peça de Mozart do concerto, resta-nos mostrar-lhes o seu mérito como instrumentista de uma obra composta por si “Fantasie” :

 

 

 

 

Gianfrancesco-Guarnieri-1   No campo teatral, estreia esta Quinta-feira 28 de Fevereiro (e fica em cena até 2 de Março) no Teatro da Politécnica a produção de “O Teatrão” (Coimbra) denominada “Um Grito parado no Ar” de Gianfrancesco Guarnieri (foto),  com direcção de António Mercado e no elenco Inês Mourão, Isabel Craveiro, João Castro Gomes, Nuno Carvalho, Margarida Sousa e Pedro Lamas.    A adaptação e direcção musical são de Luís Figueiredo, a banda sonora de Rui Capitão, as entrevistas de Alexandre Mestre, Cláudia Pato e Rui Capitão.

Um_Grito_Parado_no_Ar_Carlos_Gomes   “Um grito parado no ar” (1973), de um dos mais inovadores autores brasileiros (vide GimbaEles Não Usam Black-Tie), foi um dos textos que mais comoveu o Brasil nos tempos de resistência e que agora, adaptado à nossa realidade, onde o samba de Toquinho se transforma em fado, nos mostra as voltas que as pessoas dão à vida para poderem ter ou manter o seu trabalho e concretizar os seus sonhos.

Um Grito Parado no ar1 Carlos Gomes   Trata-se de uma viagem alucinante pela realidade urbana a que O Teatrão nos convida, onde se cruzam feirantes, alunos do ensino recorrente, cauteleiros, mulheres a dias, um vizinho tarado, jovens que vêm do interior, um chui cansado, prostitutas, um casal no final da relação, professores universitários, uma mãe com a sopa sempre ao lume, o dono de uma tasca, adeptos fanáticos… São habitantes de uma cidade contemporânea que nos abrem as portas para penetrarmos sem medo na essência dos nossos dramas e conseguirmos rir do patético das nossas vidas.

   A sinopse do que se passa em palco − seis actores, três homens e três mulheres que ensaiam uma peça que nunca chegamos a conhecer – está neste vídeo elaborado para divulgar o espectáculo e que sugiro que vejam :

 

 

 

 

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tariszero-de-conduite +   Quanto a cinema em ciclos particulares, assinala-se a possibilidade nesta Quinta-feira 28 de Fevereiro de poder conhecer algum do Cinema Mudo do realizador francês Jean Vigo com música original e ao vivo de Norberto Lobo.

   É no Teatro do Bairro (Rua Luz Soriano, nº 63, ao Bairro Alto), às 21h30, onde serão projectados dois filmes de Jean Vigo, “Taris”(Taris , roi de l’eau) (França, 1931, 10’) e “Zero em Comportamento” (Zéro de conduite)(França, 1933, 41’).

   Este é um excerto deste último filme “Zero em Comportamento”  − busquem-se algumas semelhanças com a “Aniki Bóbó” (1942) do nosso Manoel de Oliveira :

 

 

 

 

kari ikonen trio - Copy   Já no jazz o único local onde os amadores poderão dar livre curso às suas preferências é (como de costume) o Hot Clube de Portugal onde às 23h se estreia entre nós o Kari Ikonen Trio na sua nova formação (que deveria ter actuado, como na altura noticiámos, em fim de Janeiro passado). A performance repete-se nos dias 1 (Sexta) e 2 (Sábado) de Março, agora às 22h30 (novo horário do Hot !).  

kari ikonen   O Trio é composto pelo finlandês e seu leader Kari Ikonen no piano (foto), pelo arménio (de Tallinn) Ara Yaralyan no contrabaixo e o também finlandês Markku Ounaskari na bateria e (segundo diz o Hot) “mistura os melhores ingredientes europeus com a arte da cozinha Afro-Americana mais as melhores especiarias orientais”.

   As composições de Karl Ikonen, tocadas em particular no seu Sexteto Karikko, foram premiadas (em 1º) nos Julius Hemphill Composition Awards e no Italian Scrivere in Jazz.

   Esta é a execução do seu tema “Plumbum” :

 

 

 

   Por último, registe-se uma conferência/debate possivelmente interessante, das que o Institut Français organiza no seu Ciclo “Bar das Ciências”, que terá lugar às 19h desta Quinta-feira 28 de Fevereiro na sua Biblioteca e onde Fernando Barão do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (Instituto Superior Técnico/UTL) falará sobre “Raios cósmicos – cem anos de mistérios e … de grandes descobertas !”.

A3   Os raios cósmicos, descobertos há 100 anos, conservam ainda uma aura misteriosa. De onde vêem? Como são produzidos? Qual a sua composição? Como é possível obter-se esta energia enorme que faz do universo o maior dos aceleradores de partículas existente? Tantas interrogações que fazem da radiação cósmica um tema de grande actualidade na pesquisa científica.

   Na primeira metade do século XX, a radiação cósmica esteve na origem de várias descobertas fundamentais, entre as quais está a detecção da primeira partícula de antimatéria ! Desde então, várias experiências científicas foram feitas, em Terra e no Espaço, para uma melhor compreensão desta radiação : as partículas que a compõem são influenciadas  por  fenómenos de grande intensidade que surgem no universo e constituem assim um utensílio privilegiado para o seu estudo. Na proximidade da Terra, as tempestades solares são uma fonte de raios cósmicos de baixa energia que podem perturbar os sistemas dos satélites em órbita em torno da Terra.

   Ao longo desta palestra (de entrada livre e falada em francês), far-se-á uma viagem fascinante nos dois infinitos, o infinitamente pequeno e o infinitamente grande, passando em revisão as experiências determinantes no estudo dos raios cósmicos  e os desafios ligados à sua detecção na Terra e no espaço.

   Este é o teaser do acontecimento feito pelo IFP :

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui)

 

 

 

 

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