CONSOLAÇÃO DO ANTIGAMENTE… por Fernando Correia da Silva

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1. Em 1967, em Nova Iorque, a Yad Vashem, organização israelita para a recordação dos mártires e heróis do Holocausto, homenageia Aristides de Sousa Mendes com a sua mais alta distinção: uma medalha comemorativa com a inscrição do Talmude «Quem salva uma vida humana é como se salvasse um mundo inteiro». E o Cônsul Sousa Mendes não salvou uma, mas sim milhares e milhares de vidas ao carimbar, em Bordéus (França), vistos para entrada em Portugal nos passaportes de judeus perseguidos pelos nazis. A Censura salazarista impede que a imprensa portuguesa noticie o acontecimento.

2. Encorajada com a homenagem de Israel, Joana de Sousa Mendes, filha de Aristides, em 1969 escreve ao Presidente Américo Tomás a pedir a reabilitação da memória do seu pai. Não obtém qualquer resposta.

3. Em Portugal, o “caso” Sousa Mendes só vem a público em 1976 com um artigo de António Colaço no Diário Popular. Tema retomado em 1979 por António Carvalho num outro artigo em A Capital.

 4. Ainda em 1979 o Presidente Mário Soares concede, a título póstumo, a Ordem da Liberdade a Aristides de Sousa Mendes.

 5. Em 1988, depois de muitas resistências do Antigamente infiltrado no Abril, a Assembleia da República e o Governo português, pressionados pelos filhos de Sousa Mendes e pelos americanos (entre estes o congressista Tony Coelho), finalmente procedem à reabilitação do Cônsul.

 6. Após a morte de Aristides foram executadas as hipotecas do recheio da sua Casa do Passal, em Cabanas do Viriato (distrito de Viseu). Ficou ao abandono e os vizinhos passaram a usá-la como galinheiro, pocilga e curral. As novas autoridades portuguesas, as democráticas, estimularam uma fundação a recuperá-la para hotel ou museu. Projeto congelado: a Casa do Passal continua a desfazer-se, é hoje uma cariada cabana de Viriato. Com o seu desaparecimento, ainda há quem tenha a esperança que também desapareça a memória de Aristides Sousa Mendes – será essa uma consolação do Antigamente…

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