PEDAGOGO E PEDAGOGIA – por António Mão de Ferro

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Quanto vale o conhecimento? Não será ele a principal base de valor acrescentado nas Organizações? Não será o progresso determinado por ele? Numa altura em que tudo é posto em causa, será mais importante ser detentor do saber ou, pelo contrário, conseguir encontrá-lo quando dele se necessita? Ora, o saber não é uma coisa absoluta, varia segundo as circunstâncias e o modo como o olhamos. Não existe de modo isolado, é partilhado, nasce da troca. É neste contexto que a aprendizagem assume uma importância crucial. Importa por isso que os sistemas de ensino repensem o modo como é ministrado, daí que se deverá ter em conta que o desafio que se coloca com cada vez mais premência é a utilização de um modelo pedagógico mais apropriado, mais rico, mais adaptado, que para além dos conteúdos veiculados por formadores e professores faça com que, especialmente em cursos com adultos, as sinergias do grupo constituam uma preciosa mais-valia.

O pedagogo tem que ter uma atitude aberta e, para além de se preocupar com os resultados do seu ensino e com a obtenção dos objetivos propostos, deverá conseguir que se projete no futuro uma visão desejada das coisas, ainda que incertas e não acabadas. É preciso uma pedagogia que contribua para que o indivíduo encare o amanhã com um sorriso. Um amanhã em que possam intervir os seus atos, a sua iniciativa, a sua singularidade, sem necessidade de renegar a sua história nem o vivido anteriormente.

Mas a pedagogia, conjunto dos meios utilizados para ensinar, está em ebulição e em permanente construção. É instável porque está dependente do tempo e da sociedade, daí a dificuldade que professores e formadores têm para lidar com ela.

Bebeu do progresso das investigações ligadas ao ser humano e de tudo o que pode ajudar nas suas tarefas. Comporta elementos muito antigos e contribuições recentes. Dificilmente se encontram nela ruturas bruscas e, quando tem havido tentativas para o fazer, muito raramente têm tido sucesso, porque o presente germinou no passado e no presente tem que se construir o futuro.

Mas a pedagogia está longe de ser uma ciência de segunda e longe vai o tempo em que o pedagogo dava origem a sátiras e troças porque o seu valor contrastava com as suas pretensões e porque se tornava facilmente dogmático. Ao conhecer poucas coisas ignorava a sua ignorância, chegando mesmo a ser desprezado devido à sua pretensa ciência.

Alterar o modo como se transmite e obtém o saber deve ser uma das grandes preocupações dos professores e formadores. Quem aprende não pode ser empanturrado com conteúdos como se se tratasse de um saco de batatas que é preciso encher.

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