REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Selecção, tradução e nota de leitura por Júlio Marques Mota

Ver nota de leitura em:

https://aviagemdosargonautas.net/2013/02/27/

reflexoes-sobre-a-morte-da-zona-euro-sobre-os-caminhos-

seguidos-na-europa-a-caminho-dos-anos-1930-78/

e

https://aviagemdosargonautas.net/2013/02/28/

reflexoes-sobre-a-morte-da-zona-euro-sobre-os-caminhos-

seguidos-na-europa-a-caminho-dos-anos-1930-79/

Efeitos passados e futuros dos estímulos económicos

Fabius Maximus

4 de Fevereiro de 2013
Traduzido de http://www.economonitor.com/blog/2013/02/past-and-future-effects-of-the-economic-stimulus/

Parte I

Hoje olhamos para um dos principais elementos dinamizadores da nossa prosperidade e sobre os seus efeitos no mais longo prazo

Fabius Maximus - I

Stand by for a boom!

Sumário

1.    Como é que chegámos aqui

2.    O que temos para mostrar depois de 5 anos de estímulo massivos?

3.    Porque é continuamos com os estímulos?

4.    Analisando os estímulos

5.    Para mais informação

6.    Uma outra perspectiva

1. Como é que chegámos aqui

Em Dezembro de 2007 a economia dos EUA caiu em recessão. Em Fevereiro de 2008 o Presidente Bush assinou a lei de estímulo à economia, o Economic Stimulus Act of 2008, com um custo estimado de US $12 mil milhões em 2008. Desde então, muitas outras leis de estímulo da economia se seguiram nos cinco anos seguintes. O Fed actuou fortemente, tendo a taxa dos fundos federais passado de um pico de 5,25% em Junho de 2006 para efectivamente zero em Dezembro de 2008 (ZIRP, Zero Interest Rate Policy) — e que ainda hoje assim permanece.

Além disso, houve um vasto leque de outras medidas, convencionais e não convencionais, que foram aplicadas por várias agências governamentais (por exemplo, Tesouro, FHA, SEC, Federal Reserve). 

2. O que temos para mostrar depois de 5 anos de estímulo massivos?

a) Desde 2007, a América tem estado a ser uma das economias mais fortes do mundo desenvolvido. Isso inclui registos de elevados lucros nas grandes empresas, um constante mas lento aumento em empregos e um aumento do PIB anual na ordem dos 1%. Mas isto não acontece por simples acaso, isto custou 6,4 milhões de milhões em nova dívida pública Federal, desde que a recessão começou em Dezembro de 2007. Estes valores significam um aumento de 125% da dívida, ou seja, um pouco mais do dobro, à média de 1,2 milhão de milhões por ano.

b) As muitas poderosas acções do FED, com poucos paralelos na história moderna, pela sua magnitude e duração, tiveram um feliz efeito sobre os lucros dos principais clientes do Fed: os bancos. Missão cumprida!

Fabius Maximus - II

Forte chuvada de dólares, mas somente para os ricos e para os que lhes estão ligados.

(c) Muitos conservadores têm alertado para a hipótese de uma desajeitada subida das taxas de juro, para o colapso do dólar, para a inflação — ou mesmo para a hiperinflação (Alemanha de Weimar e Zimbabwe figuram proeminente nas suas previsões). Nenhum modelo econométrico previu estas coisas; mas estas previsões terríveis foram tentativas de orientar e influenciar politicamente as políticas públicas. E provou-se que eram falsos, uma vez, e outra, e mais outra. Com, é claro, nenhum sinal de que essas falhas tenham suscitado qualquer aprendizagem ou qualquer outro quadro mental em muitos dos economistas conservadores.

(d) Talvez o resultado menos esperado seja o de que os programas de estímulo reduziram e em muito a pressão para que fossem feitas reformas substanciais. Tivemos agora uma nova Grande Depressão mas não tivemos nenhum outro New Deal. Esta ruptura nos nossos mecanismos nacionais de aprendizagem pode ter grandes efeitos, tais como poder permitir que venha a haver uma repetição das loucuras que nos trouxeram para esta Grande Depressão.

(e) O aviso mais comum — em voz alta se irracionalmente disputado — refere-se a muitos milhões de milhões da dívida pública que teremos de pedir emprestados antes da economia finalmente retornar ao seu estado normal. Trata-se de um fardo porque não “devemos isso a nós-mesmos”. Devemo-lo a pessoas e instituições específicas, nacionais e estrangeiras. Eles insistirão em que lhes teremos de pagar os valores em dívida e desenvolverão todo o seu vasto poder político para impedir que o seu valor seja depreciado pela inflação.

Pior, o dinheiro evaporou-se. Contraindo empréstimos a baixas taxas de juro para reconstruir as infra-estruturas da América teria sido sabedoria. Em vez disso, a maioria do dinheiro desapareceu tal como desapareceram as neves que caíram, se derreteram, nestes últimos cinco invernos — deixando-nos apenas as dívidas e as nossas infra-estruturas decadentes.

(f) E quanto aos efeitos não conhecidos? Na história há mesmo poucos precedentes para uma tão ampla gama de programas de estímulo do governo, feito numa dimensão equivalente, e aplicados durante tanto tempo. Pode haver graves consequências económicas, ainda não visíveis — tornando-se visível apenas lentamente, ou quando os programas acabarem. Como é que os programas de estímulo falsearam o funcionamento normal da economia dos EUA? A imaturidade da teoria económica faz com que esta seja um pobre guia para tais questões. Devemos esperar o inesperado.

Depois, os economistas irão explicar porque é que esses efeitos negativos (agora conjecturais) eram bastante óbvios. Como poderia tanto dinheiro ser emprestado — como poderiam tais baixas taxas serem mantidas — como poderiam os mercados de crédito do país serem de tal forma manipulados (por exemplo, agora o governo serve de garante sobre 80% das novas hipotecas) — sem efeitos nocivos a longo prazo?

Nós devemos temer o exemplo do Japão. Eles caíram numa recessão em 1998 e, por razões que ainda não estão compreendidas, ainda não recuperaram. A sua prosperidade continua apenas através dos enormes défices e da política ZIRP. Os estímulos orçamental e monetário podem-se assim tornar um vício que não se pode depois cortar.

(continua)

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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