Edição 86, do Jornal Fraternizar, de 8 de Março de 2013
A alternativa, politicamente correcta, só pode ser esta: Actual Governo PP/PSD, descaradamente, vendido aos interesses da troika e do grande Poder financeiro europeu e mundial, ao fundo! Em seu lugar, as populações ao leme das suas vidas e do país! As manifs anti-troika e anti-Governo PP/PSD que se têm sucedido com intervalos cada vez mais curtos, insistem e investem muito no primeiro imperativo. E silenciam e investem quase nada no segundo. Ora, sem as populações politicamente desenvolvidas de dentro para fora e maieuticamente ligadas entre si, nenhum espaço para intermediários, messias, salvadores, o actual Governo PP/PSD pode ir ao fundo, como exigem as manifs, mas outro, semelhante ou ainda pior – “atrás de mim virá que bom de mim fará” – corre logo a ocupar-lhe o lugar. Com troika no terreno, ou sem ela. Mas sempre com o Poder financeiro ao leme das vidas das populações e do país.
É relativamente fácil atirar Governos ao fundo. Difícil, muito difícil, tem sido trabalhar, discreta e organicamente, sem descanso, com as populações, para que elas cresçam de dentro para fora, maieuticamente ligadas entre si, de modo a assumirem o leme das suas vidas e do país. Nem o 25 de Abril de 1974 se lembrou de desenvolver este trabalho político, nem sequer durante o PREC (Processo Revolucionário Em Curso), que, na prática, não passou de um arremedo de trabalho revolucionário, entre umas quecas e umas tainadas, nas aldeias do nordeste, à mistura com umas músicas e uns discursos tirados de um qualquer “livro vermelho”, muito fácil de manusear e de reproduzir, para populações que o fascismo e o cristianismo católico e o protestante mantêm, há séculos e séculos, sob seu total controlo ideológico e idolátrico.
A grande questão política que nem os chamados partidos políticos estão dispostos a encarar e a superar, tem a ver com as populações em geral. E é um trabalho político permanente, que tem de ser feito geração após geração. Ninguém nasce politicamente desenvolvido, nem se faz politicamente desenvolvido, sem um acompanhamento político cuidado e sábio, realizado ao fecundo e libertador modo da parteira. As minorias do Poder sabem que o tempo joga sempre a favor delas. E que basta ter populações politicamente subdesenvolvidas/deprimidas, para que tudo lhes corra de feição. Quando chamadas a decidir sobre as suas vidas e do país, é nessas minorias do Poder político que as populações continuam a confiar. Podem, como na Grécia e na Itália, votar, uma vez, de raiva e de protesto, mas, depressa, a raiva passa e o protesto também. E as populações lá voltam à sua “estabilidade”, às suas rotinas, às suas pequenas coisas, aos seus pequenos negócios, às suas rezas às santas e aos santos da sua devoção, às suas festas aos santos populares e do padroeiro ou da padroeira. E esquecem por completo as manifs nas ruas.
Para sermos, neste início do terceiro milénio e terceiro milénio além, populações politizadas, permanentemente, ao leme das nossas vidas e do país, exige-se-nos de todas, todos nós, muito mais do que manifs nas ruas e nas cidades, punhos erguidos, agitação de bandeiras vermelhas ou pretas, slogans repetidos até à náusea e sucessivas entoações de Grândola, Vila Morena, para regalo das tvs e dos directos das rádios. Exige nascermos de novo todos os dias, sermos mulheres, homens novos. Ao mesmo tempo, exige-se-nos a criação duma sociedade outra, que não esta mortalmente envenenada. Uma sociedade onde se respirem ventos culturais outros, onde a dignidade e a liberdade valem mais do que o dinheiro, um poema vale mais do que um golo de futebol, o amor vale mais do que fazer sexo em qualquer esquina, as conversa com afectos e ideias valem mais do que todos os jogos de futebol que a Sport-tv ou a Benfica-tv exibam a toda a hora do dia e da noite!
Uma vez chegados aqui, sim, Governos politicamente assassinos e ladrões, como este do PP/PSD, não só vão ao fundo, como nem sequer chegam a constituir-se, porque as populações estão dia e noite ao leme das suas vidas e do país. Trabalhemos, pois, politicamente, pelo menos, a par das manifs, para que um Hoje, assim, seja realidade todos os dias. E não simplesmente mais do mesmo messianismo político, por sinal, sempre muito presente nos discursos de intelectuais não-orgânicos, e que, em vez de lixar a troika, lixa as populações, pois as deixa sistematicamente entregues ao Poder que vem só para as roubar, matar e destruir!
Ao fundo mesmo ….no h sistemas perfeitos ,mas h homens dos vrios quadrantes no corruptos e apontam caminhos novos de governao -De que se estar espera?*Maria s *
Ao fundo mesmo ….no h sistemas perfeitos ,mas h homens dos vrios quadrantes no corruptos e apontam caminhos novos de governao -De que se estar espera?*Maria s *