POESIA AO AMANHECER – 156 – Manuel Simões

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VIOLANTE DO CÉU

( 1601 – 1693 )

“SERÁ BRANDO O RIGOR, FIRME A MUDANÇA”

Será brando o rigor, firme a mudança,

humilde a presunção, vária a firmeza,

fraco o valor, cobarde a fortaleza,

triste o prazer, discreta a confiança;

terá a ingratidão firme lembrança

será rude o saber, sábia a rudeza,

lhana a ficção, sofística a lhaneza,

áspero o amor, benigna a esquivança;

será merecimento a indignidade,

defeito a perfeição, culpa a defensa,

intrépido o temor, dura a piedade,

delito a obrigação, favor a ofensa,

verdadeira a traição, falsa a verdade,

antes que vosso amor meu peito vença.

(de “Rimas Várias”)

O oxímoro domina a contrução do soneto, o qual associa conceitos logicamente incompatíveis e que atinge o auge no último verso em que a posição do sujeito é claramente de  resistência ao amor. Sóror Violante do Céu  é uma das vozes mais interessantes do séc. XVII, sendo a sua poesia repartida por temas religiosos e profanos. Além de “Rimas Várias” (1646), publicou-se postumamente “Parnaso Lusitano de Divinos e Humanos Versos” (1733).

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