Conheci o médico, admirei o Homem onde reconheci o Artista e, perdoe-se-me a ousadia, descobri o amigo. E em tudo isto, o mais que pode dizer-se é que o Poeta se ia revelando uma evidência nessa tessitura de ciência e arte. E nunca consegui discernir onde começava um e acabava outro: não sabia, nunca virei a sabê-lo, qual o poeta que pintava quadros ou qual o pintor que escrevia poemas. E a génese dessa Arte, estaria no médico ou seria ele a sua consequência?
Com o mesmo rigor e sensibilidade trata as doenças físicas dos seus pacientes e procura minorar os males do mundo, tão graves e tão ancestrais. Conhece melhor que ninguémo coração dos homens. Fotografa-o, analisa-o, fixa-o. No meio de artérias, aurículas e ventrículos, sabe exactamente onde mora o ódio, a indiferença, a maldade, a angústia e a tragédia humana. Sabe também que o amor corre nas veias e que o sonho se escapa pela válvula mitral e vem fecundar a realidade, transformando a existência em Vida. Está aí o cerne e a temática da sua poesia. (…)
Carmina Figueiredo (Professora de Literatura)
Adão Cruz. Como todos os seres, transporta uma história: uma narrativa do que é, do que fez, do que projecta. A pintura, que pratica desde os 49 anos (1986), tem vindo num crescendo de ocupação dos seus tempos e dos seus espaços, dos seus ofícios de viver e de representar a vida. De um viver entre o coração e a decoração, um no exercício de cardioLogista e não de cardioLojista, outra no sentido do ornamento cultural, de uma estética de inquietação e de prazer. Uma inquietação íntima, gregária e cósmica e um prazer lírico, solidário e crítico, que se expressam nas artes da paleta e da caneta. Pintor e poeta de coisas comuns e de causas comunitárias, Adão Cruz, com discreta determinação, tem vindo a fixar um padrão de pintura, um padrão de escrita, um padrão de conduta. Um discurso triface e uno (…)
César Príncipe (jornalista e crítico de arte)
HOJE ÁS 14 HORAS O TERCEIRO QUADRO DE ADÃO CRUZ É APRESENTADO NA EXPO-VIRTUAL