A quem, agora, deve dirigir-se a População portuguesa?
Não há muitos dias, na véspera da grandiosa “Manifestação do 2 de Março”, num texto, então, produzido, para melhor terminá-lo considerei ajustado deixar escrita a interrogação que, agora, vai servir-me para intitular esta outra incursão pelas atribulações da vida nacional.
Como ficou sabido, houve um milhão de Cidadãos e Cidadãs que quiseram encher as ruas dumas dezenas de cidades para fazer a prova, aliás bem demonstrativa, da sua oposição à maioria parlamentar que prossegue na delapidação das condições sociais da larga maioria dos portugueses. Em obediência canina ao que do estrangeiro é mandado fazer, dia a dia, essa maioria parlamentar e o seu executivo nacional, com o bem conhecido apoio do chamado Presidência da República, sem travão e com toda a intencionalidade, não hesita na elaboração continuada duma série de efeitos políticos, económicos, culturais e sociais gravosos – gravosos, mais que baste – que são executados, sem ver a quê, mesmo quando é posta em causa a Independência e a Soberania Nacionais.
O esbulho nacional já vai tão longe e tem proporções de tal modo adversas que a População portuguesa vai ter de saber a quem deve dirigir-se para fazer alto ao desatino político duns tantos, agora, legal mas ilegitimamente, nas rédeas do Poder. Às chamadas oposições, já está percebido, que não são caminho a dever seguir-se. Presentes em São Bento só legitimam o Poder vigente.
Já são passados alguns dias sobre o Senhor Major-General P. Pezarat Correia ter publicado um texto, com muito interesse, sobre alguns aspectos da condição militar, das diatribes políticas do individuo que responde pela Defesa Nacional e, sobretudo, de entre os militares – como escreveu – haver preocupações que foram subscritas por muitos daqueles pertencentes aos postos mais altos da cadeia hierárquica militar inclusive por vários que já foram os responsáveis mais destacados pelo comando e direcção do topo dos três ramos das Forças Armadas. O alcance autêntico e o valor dessas preocupações, embora não explicitados, pelo certo, não podem ter sido uns meros arrufos de lamentação. Há responsabilidades históricas que não podem compadecer-se com quaisquer simples deplorações e destas, pelo certo, a População portuguesa não está a esperar. Custa a poder acreditar-se num regresso da brigada do reumático.
A questão da natureza da condição militar, cuja indicação é pormenorizada pelo Senhor General P. Pezarat Correia, no meu entender, merecia que sobre ele fossem ditas mais algumas coisas.
Os comportamentos que moldam as personalidades dos cidadãos militares, quanto a mim, devem ser objecto duma exposição mais aprofundada de tal modo que as suas preocupações possam, de facto, estar à altura da referência nacional que as Forças Armadas, na minha opinião, devem e têm de possuir. A População tem de conhecer o bastante de quanto possa ser preocupante.
Será correcto que, conforme manda a Constituição (nº.4 do Artº 275) “ …..os seus elementos não podem aproveitar-se da sua arma, do seu posto ou da sua função para qualquer intervenção política”. Com efeito, a Lei Fundamental que, eles mesmos, os militares do 25 de Abril, quiseram ver instituída reserva-lhes, como pagamento, apenas, o direito e o dever de obedecer. Para mim, há qualquer coisa que não está bem. .
A História portuguesa mostra como essa referência nacional atribuída às Forças Armadas se, para a População, nunca deixou de fazer sentir-se foi, sobretudo – exceptuem-se as campanhas contra a Gália napoleónica e os inesquecíveis heroísmos da Flandres – pelas intervenções políticas da instituição militar. Sem querer ir-se demasiado atrás – e muito de honroso haveria para dizer-se – bastará recordar o que mostra e ensina a História mais recente. Fixemo-nos em 1820 e, de então para cá, todas e quaisquer transformações da política nacional, que tenham sido de grande vulto foram cometidas, sempre, senão sob decisão e direcção militares, pelo menos, sob a sua custódia.
Em toas as ocasiões, por sistema, terão procedido com o acerto mais exigível?
Se, como exemplo muito frisante, do 25 de Abril de 1974, para a quase totalidade dos portugueses, só há que dizer bem e festejá-lo, doutras intervenções militares, possivelmente, já não tanto.
Uma pergunta que deve fazer-se é de querer saber qual a razão que levou os militares a serem tão lestos no 25 de Novembro de 1975 e, agora, altura em que há sofrimentos indiscutíveis para a imensa maioria da Populaça, não o são. Os riscos antevistos em 1975 seriam piores do que quantos, agora, já estão a fazer sentir-se?
Quem é que se apresenta a defender a maioria imensa da População Portuguesa que, de facto, é quem consubstancia o verdadeiro e indiscutível interesse nacional?
As chamadas oposições – gosto de repetir – essas, não o fazem. Quem resta para fazê-lo?
Haja coragem, que as mãos nunca haverão de doer-lhes!
Lisboa, 11 de Março de 2013
