Responsabilidade social: que responsabilidade, para quê e para quem? Por José de Almeida Serra

Parte II

(continuação)

4 – A nível planetário-global: cada vez maior número de ricos, cada vez mais ricos; cada vez maior desigualdade na distribuição de riqueza e de rendimentos. Conseguirão algumas melhorias que se observam em vastas áreas do Planeta reequilibrar o conjunto?

A revista Forbes publica periodicamente a sua lista dos mais ricos do mundo e, como constatava o insuspeito Financial Times recentemente (The club of billionaires is becaming less exclusive, John Gaspar, FT de 7 de Março de 2013), a referida lista passou, na última década, de 476 multimilionários, com uma fortuna global avaliada em 1,4 tn$ (10^12 US$), para 1426 indivíduos, “valendo” 5,4 tn$.

Ou seja: a nível global tivemos, numa década, a multiplicação por 3 do número dos muito ricos, cuja fortuna média pessoal foi multiplicada por 3,86 nesse período, crescendo esse valor médio mais do que o suficiente para compensar a desvalorização do dólar e ultrapassando também o crescimento médio do aumento da produção do Planeta (cerca de 3,8, segundo dados estimados pelo FMI).

Almeidaserra - I 

Sejamos ainda mais concretos: 1426 indivíduos disporão de fortunas que ultrapassam 1/3 do PIB dos Estados Unidos; 65% de igual indicador para a China; 160%, idem, para a Alemanha; e 222% , idem, para o Brasil. Comparadas com o PIB mundial, as referidas fortunas quase atingem 7,6% de toda a produção do Planeta (fonte, FMI; PIBs estimados para 2012; diferentes origens de dados e horizontes temporais não totalmente coincidentes poderão traduzir-se em variações de alguns decimais – mas globalmente as conclusões não se alteram).

Que conclusões retirar?

(continua)

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