REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

A pobreza e a exclusão social na Europa- duas notas

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 Primeira Nota- São 27% as crianças ameaçadas de pobreza ou de exclusão social

europapobreza - I Copyright Reuters

Jornal La Tribune (avec AFP) | 27/02/2013, 09:06 – 304 mots

Mais de 25 por cento das crianças menores de 18 anos, residentes na União Europeia estão na situação de risco de pobreza e de exclusão social, uma taxa superior à da população como um todo e este mesmo risco aumenta quando os pais têm um baixo nível de instrução, de acordo com as estatísticas publicadas recentemente.

Em 2011, 27% das crianças com menos de 18 anos estavam atingidas pela pobreza ou pela exclusão contra a taxa de  24% nos adultos com idades entre 18 a 64 anos e contra cerca de 21% das pessoas com 65 anos ou mais de 65 ano, de acordo com um estudo publicado pelo Gabinete Europeu de estatísticas, o Eurostat.

Os países menos ricos são os mais afectados

A proporção sobe para quase um terço para os filhos dos migrantes, ou seja, crianças que são filhas de pelo menos um dos pais a não ter nascido no país onde residem. Os países onde as crianças estão em maior risco de pobreza e de exclusão social são a Bulgária (52% na idade igual ou inferior a 18anos ), Roménia (49%), Letónia (44%), Hungria (40%) e a Irlanda (38%, segundo os dados de 2010).

Por outro lado, na Suécia, na Dinamarca e na Finlândia, são apenas 16% das crianças que estão nessa situação. Estes países são depois seguidos pela r Eslovénia (17%), Holanda (18%) e Áustria (19%).

Educação: um critério determinante

Sem surpresa, quanto mais o nível de educação dos pais é fraco mais o risco de pobreza ou exclusão cresce: quase metade das crianças cujos pais não ultrapassaram o primeiro grau da educação do secundário ( o nosso Ciclo) estão ameaçadas pela pobreza e pela exclusão. A proporção cai para 7% para aqueles cujos pais alcançaram uma licenciatura.

 É na Roménia que a diferença é mais acentuada: 78% das crianças cujos pais têm um baixo nível de educação estão em risco de pobreza ou de exclusão, contra 2% daqueles cujos pais chegaram a licenciar-se. Em França e na Alemanha, onde o risco de pobreza em toda a população é muito próximo (19,9% na Alemanha, 19,3% na França), este mesmo risco é diferente para as crianças: é de 23% em França contra cerca de 19,9% na Alemanha. A tendência inverte-se para as pessoas mais 65 anos: 15,3% na Alemanha, 11,5% na França.

Primeiro comentário a este artigo:

 Olá, sim, infelizmente Europa está a ficar dia a dia com mais pobres, porque não há mais trabalho para os nossos filhos, e ainda bem que a nossa taxa de natalidade é baixa quando as próximas gerações essas irão estar em apuros, porque não conseguimos ver o mundo a mudar (especialmente o nosso mundo político). O cidadão sabe-o bem, desde há muito tempo, o cidadão pede uma diminuição da imigração desde há muito tempo sem sequer ser alguma vez ouvido, o proteccionismo económico (não ouvido) uma outra política… Há também um aumento de modo consistente do populismo em todos os nossos países, mas como nada é feito contra isso, este terá pela frente uns belos dias ainda… Isso pode ser afinal e para nossa infelicidade a mudança e não se poderá dizer então que não houve mudança.

Segundo comentário a este artigo

A disparidade das competitividades no interior da União Monetária é principalmente devido a factores naturais e imutáveis (dimensão do mercado interno, a posição geográfica, a topografia do país, o clima, os recursos e os recursos naturais (matérias-primas), tamanho do país, natalidade (fazer vir  a força de trabalho altamente qualificada dos países vizinhos, como o estão a tentar fazer os alemães, uma vez que é menos caro do que criar os filhos e formá-los nós mesmos etc) etc. Se é verdade que a França e a Alemanha poderiam ter uma competitividade semelhante não é este o caso de outros países na área do Euro. Os países pouco industrializados como Portugal, a Grécia e outros países têm muito poucas possibilidades de alcançar a mesma competitividade que a Alemanha (a menos que se venham a transformar em paraísos fiscais). A sua procura em aumentar a sua competitividade pelo dumping social e pelo dumping dos salários é ilusória. Países como a China, a Índia e outros países asiáticos não podem ser igualados no que se refere ao dumping social… Única solução, os acordos devem ser alterados para permitir aos países assim desfavorecidos que possam desenvolver e proteger as suas economias contra as economias mais fortes, a fim de alcançar uma maior convergência das economias no âmbito da União Monetária. Também é importante chegar a uma divisão horizontal do trabalho para evitar o exílio dos jovens muitas vezes altamente qualificados dos países periféricos (Portugal, Espanha e Grécia, trata-se de 50% de desemprego juvenil).

(continua)

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