COLOMBO ARRIBA A PORTUGAL – por Fernando Correia da Silva

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 1476. Uma frota mercante genovesa cruza o Mediterrâneo. Cristóvão Colombo numa das naves. Tem 25 anos e é natural de Génova. Por conta de dois abastados mercadores, Di Negro e Spinola, navega rumo a Lisboa onde o aguarda o seu irmão Bartolomeu, cartógrafo ao serviço da Coroa lusitana. Mareado, Cristóvão recolhe-se ao beliche. Começa a reler O Livro das Maravilhas do Mundo, de Marco Polo. A leitura volta a apaixoná-lo. Raramente sobe ao convés. Quando a frota passa ao largo da Córsega, estão Marco Polo e Colombo indignados com a fuga dos dois frades que deveriam evangelizar os povos de Catai (China). Quando a Maiorca surge no horizonte, estão Marco Polo e Colombo a subir e a descer as montanhas do Pamir. Quando ultrapassa as colunas de Hércules (Gibraltar) estão Marco Polo e Colombo a serem recebidos e muito honrados pelo grande Kubilai Kã. Quando o gajeiro da nau-capitã avista o cabo de S. Vicente, está Marco Polo a descrever a Colombo as maravilhas de uma ilha fabulosa, Cipângu (Japão). Sedas, ouro, pérolas, rubis, diamantes, esmeraldas e de repente um estrondo, gritos, mas desta vez no Atlântico, a caminho de Lisboa. O navio a meter água e novo tiro de bombarda. São piratas luso-franceses ao ataque. Colombo galga ao convés. Fragor, um mastro a despenhar-se e a arrastar todo o cordame atrás de si. A nave adorna, já vai a pique, escaleres salva-vidas já vão longe. Descalça as botas, despe o gibão, atira-se ao mar. Não tem o que temer por sua vida, um Anjo assopra-lhe que Deus o reserva para grandes feitos, salvador da Fé Sagrada, defensor da Cristandade. E nada, durante horas nada e esbraceja contra ondas e correntes. Por fim consegue arribar à praia, exaustão. Uma família de pescadores algarvios dá-lhe abrigo num casebre.

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