Já tivemos um ministro que resolveu dizer que a margem sul era um deserto. Não queria ouvir falar da hipótese de instalar ali o grande aeroporto internacional que ele queria que fosse na Ota. O aeroporto não será na Ota, e duvida-se que alguma seja na margem sul. Entretanto, continua na Portela.
A reforma administrativa vai avançando. Acabaram com uma quantidade de freguesias. Com a ajuda das portagens, estrategicamente colocadas, a reforma, que não é reforma nenhuma (a não ser que as palavras deixem de ser o que são), mas sim uma demolição (o termo é suave) vai agravar a desertificação de várias zonas do país, onde vão ficar a viver só alguns idosos que não as podem ou não as querem abandonar.
Apresentamos a semana passada um trabalho de Edward Hugh, O Grande Esvaziamento de Portugal, na rubrica Retratos, Imagens, Síntese Dos Efeitos Da Crise Da Zona Euro Sobre Cada País, que analisa a nossa situação, relacionando a situação macroeconómica com o problema demográfico e os recursos humanos. Não leva a sua análise muito mais longe, mas avança o suficiente para dar a perceber que é urgente romper com o actual círculo vicioso de contracção-recessão. Não chegam propor reformas políticas, algumas de duvidoso resultado. É preciso avançar, em todos os sectores. O Grande Esvaziamento terá resultados irreversíveis. Mesmo que o governo Passos/Gaspar/Portas caia hoje, vai ser muito difícil corrigir os estragos que eles e os seus antecessores fizeram. E daqui a um ano ou, pior, em 2015, o problema que se vai pôr é a própria sobrevivência de Portugal. Estamos a ser governados há muito por pessoas que não vêem um palmo para além do nariz, isto é, das suas esferas pessoais de funcionamento. Por isso, estão-nos a empurrar para o deserto.

