EDITORIAL – O GOVERNO E OS CAVALOS DE TROIA DO PSD

Imagem2Sabe-se que o PSD, tal como o CDS e o PS, são para uma grande parte dos seus filiados mera agência de empregos ou prancha de saltos para lugares na política ou nos negócios. Dizemos filiados, pois dizer militantes seria manchar o conceito de militância. Se for preciso, ou seja, se as conveniências assim o aconselharem, até mudam de partido.

O executivo de Passos Coelho configura a mais desastrada e desastrosa equipa governamental de que há memória – e se houve anteriormente governos maus e incompetentes! –  mas este misto de estupidez, arrogância,, corrupção, falta de respeito pelas instituições democráticas e, sobretudo, pelo eleitorado, é inexcedível. E dentro do próprio partido governamental são muitas as vozes que se erguem para  o condenar, para se demarcarem de uma prática que ultrapassa as raias do que consideram admissível.

E já nem o fait-divers da contratação de Sócrates como comentador da RTP (com intenções eleitoralistas, visando um salto para Belém?) esconde a preocupação que reina para os lados da Rua de Buenos Aires. Marcelo Rebelo de Sousa, ao comentar o pedido do CDS para uma remodelação da equipa governamental, situa em Miguel Relvas o nó do problema e clama a necessidade do seu imediato afastamento. Marques Mendes coloca em Vítor Gaspar essa responsabilidade e sugere também que saia.  Pacheco Pereira, por seu turno, dissocia–se completamente das acções deste governo do PSD.. Diz no seu blogue pessoal: «A desmoralização do governo é evidente. Autismo, teimosia, perda de noção da realidade, confusão, contradições, alternância entre medo e ar de rufia, acções sem nexo, repetição sem sentido de slogans e intenções em que já ninguém acredita, nem emissor, nem receptores, ataques de pânico, tudo. Se houvesse psiquiatras para governos, este estava mesmo precisado de uma série vasta de sessões». Um diagnóstico perfeito.

A velha guarda do PSD agita-se – «Esta miudagem ainda deita tudo a perder». Na concorrência, a ala neoliberal, a que está na direcção, desconfia da fartura e tenta cozinhar o descontentamento generalizado em lume brando. Por um lado, o comportamento disparatado do governo, favorece as ambições de uma fácil vitória eleitoral. Por outro, tanto disparate, põe em risco a essência do próprio negócio – aquilo que na linguagem comum dos dois segmentos do bloco central, se chama «a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas».

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