O chefe da troika em Portugal, Abebe Selassie, há dias, manifestou o seu desgosto por os preços da electricidade, das telecomunicações e de outros sectores não transaccionáveis em Portugal não descerem, apesar da contracção na procura e do aumento na concorrência (onde será que ele a viu?). Admite que esteja a ser posto em causa o princípio da distribuição equitativa do esforço devido ao ajustamento. Vejam
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=638552&tm=6&layout=122&visual=61
Da parte das telecomunicações houve um desmentido, de outros quadrantes houve comentários favoráveis. José Gomes Ferreira, que podemos ver em
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=go0DPd5N-Wk
põe o dedo na ferida: vai tudo ter ao sistema financeiro. Não existe concorrência. Num mercado de dez milhões os poucos fornecedores encostam-se todos em cima, no que respeita a preços. Ainda tenta defender o governo (pelo menos o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira), mostrando não compreender que este é parte do problema, e não está em posição de dar soluções, pois está lá apenas para diminuir os custos do trabalho e destruir o estado social, e aumentar as rendas aos grupos económicos. Pelo menos Gomes Ferreira defende a tabelação dos preços, o que para a troika e para Passos/Gaspar/Portas é tabu.
Na realidade, Abebe Selassie, o governo português, e mesmo José Gomes Ferreira não querem ou não conseguem ir ao fundo da questão. Alberto Pimenta, que recentemente publicou o audiolivro De nada, edições Boca, consegue avançar mais do que eles. Na entrevista que deu ao Jornal de Letras, a Maria Leonor Nunes e José Caria afirma: “Aquilo a que hoje assistimos, e já num estado bastante avançado, é à tentativa de recolocar tudo como estava antes da Revolução Francesa”.

