A grande preocupação de D. João II é dar continuidade aos Descobrimentos, praticamente suspensos durante o reinado de Afonso V. Em 1479 o novo monarca assina com os Reis de Espanha o Tratado das Alcáçovas, que reserva a Portugal o direito exclusivo de navegar para além das Canárias.
Uma conspiração leva-o a retardar o avanço para o mar. Em 1477, ao assumir a regência, encontrara esgotado o tesouro real, em consequência dos muitos privilégios que D. Afonso V esbanjara pela nobreza. Em 1481, nas Cortes de Évora, D. João II investe contra a nobreza, retira-lhe privilégios, quereis que eu seja apenas Rei das estradas do meu Reino? Resultado: conluio dos nobres contra El-Rei. Em 1483 D. João II antecipa-se ao regicídio e manda prender e executar em público o poderoso Duque de Bragança, cabecilha da conspiração.
Em consequência da execução, vários são os nobres portugueses que se homiziam em Castela. D. João II quer saber quem os visita. Entrega a incumbência a Pêro da Covilhã que, se leal escudeiro fora do pai, também do filho o há-de ser… Deveras contente Pêro assume o seu novo papel de espião, pois não suporta a arrogância da fidalguia portuguesa. Entre os visitantes consegue identificar o Duque de Viseu, cunhado d’El-Rei, e D. Garcia de Meneses, bispo de Évora. E disso informa El-Rei.
Em 1484 é o próprio D. João II quem, no Paço Real, mata à punhalada o Duque de Viseu.
(Ilustração de Martins Barata)
– Temos homem! – grita Pêro da Covilhã ao saber do ocorrido. Não pode deixar de comparar as vacilações do pai com a determinação do filho.
El-Rei depois manda prender e executar o bispo de Évora. Destroçada a conspiração, já pode D. João II voltar a dedicar-se à grande tarefa dos Descobrimentos, iniciada por seu tio-avô, Infante D. Henrique.