
Durante mais de seis anos escrevi para o Diário de Notícias nas áreas do emprego e da formação profissional. Nessa altura criei algumas personagens. Uma delas era o meu amigo Aristides.
Era uma figura com sentido de justiça, umas vezes parecia um intelectual, outras revelava alguma ignorância na abordagem dos assuntos, mas era interessante, e também capaz de dar grandes secas. A história da bicicleta que ele me contou tim por tim, foi uma delas.
Tinha uma bicicleta já antiga mas pela qual tinha uma grande afeição, pois foi o seu transporte quase exclusivo, durante a fase da adolescência.
Ela precisava de um concerto , mas ele não encontrava uma pessoa de confiança que o fizesse. Um dia disseram-lhe que ali para os lados de Santarém havia um especialista de nome Gervásio. Partiu logo à procura dele.
A primeira pessoa a quem procurou, disse-lhe vá por esse caminho fora, até encontrar uma farmácia, corte à sua direita e depois à sua esquerda, siga em frente, até encontrar um pelourinho, contorna-o e segue em frente até uma casa pintada de verde, v ira à direita , depois à esquerda e novamente à direita. Seguindo as instruções, ainda chegou ao pelourinho, mas a partir daí não sabia porque caminho seguir pois deparou-se com quatro hipóteses.
Perguntou então a uma Sra: -onde fica a pessoa que arranja bicicletas? Ela disse-lhe há nesta terra três indivíduos que arranjam. Um nunca lá está. Outro está mas de vez em quando vai beber um copo à taberna do Isaias, leva barato mas não é de confiança. Resta o Gervásio, que é o mais sério, mas que não leva barato. Ainda tem que andar um bocado, para lá chegar, contorna esta rua que está ali e apontou para lá e depois de passar à casa com uma risca verde ao alto, vira à direita, continua em frente, depois vira à esquerda e novamente à esquerda, encontra um portão grande, entra e aí encontra o Sr. Gervásio.
Aí vai o Aristides a fazer o caminho que a Sra. lhe indicou só que na última rua em vez de virar à esquerda devia virar à direita e andou às voltas, até encontrar um indivíduo com cara de poucos amigos que quando ele lhe perguntou onde ficava a casa do Sr. Gervásio, lhe disse bruscamente: Vire á direita. Assim fez e lá encontrou o portão e depois de andar um pouco deu com a oficina. Antes porém de continuar a descrever toda a conversa fez um parenteses, para dizer que depois de entrar o portão, encontrou uma velhota sentada , com um chapeu de palha a apanhar sol, que olhou para ele e lhe disse: – salve-o Deus e ele sem saber muito bem o que dizer disse obrigado! Chegou à oficina e encontrou o mestre. Depois de o cumprimentar, disse-lhe, já sei que o Sr. se chama Gervásio, que arranja bicicletas e que é uma das pessoas mais conceituadas na matéria, ao que o Gervásio respondeu: Já sabe muito!
Espero que não se assuste com os preços e lá continuaram a falar.
Claro que oAristides, ainda contou em quanto orçava o trabalho do conserto da bicicleta e a conversa que teve com o Gervásio que demorou mais de uma hora, mas sinceramente acho que já ninguém tem paciência para ler mais sobre a história da bicicleta do meu amigo Aristides. Se por acaso ainda não desistiu de ler, termino já. Obrigado pela paciência
