TEATRO NACIONAL D. MARIA II – O DOENTE IMAGINÁRIO

O Doente Imaginário 680doente_146790616350f7e53e6a0f3

19 – 28 ABR 2013

Sala Garrett

6.ª e sáb. 21h
dom. 16h

“Quando fizemos O Avarento em 2009, quisemos mostrar a tragédia da destruição moral operada pela obsessão de Harpagão na sua família, a loucura em subjugar tudo e todos à sua vontade, a sua desumanização patológica – e criámos um sério divertimento que voltámos a revisitar em 2010 e em 2011. Estranhamente, parece-nos quase natural chegarmos agora a este Argão, que, tal como Harpagão, “é de todos os humanos o humano menos humano” (curiosa a aproximação fonética dos dois nomes inventados por Molière!…). Outra personagem obsessiva, patética, que não tem sentimentos por ninguém, grotesco no seu egocentrismo, que exige a atenção de todos sem nada dar em troca. Esta recusa da pluralidade, do reconhecimento do(s) outro(s), resulta na perda do real – por isso, ele tem tanto medo da morte. É, aliás, brilhante o comentário de Jean-Luc Lagarce a propósito da personagem: “Um corpo que devora tudo, que impede os outros de viver, que os engole, devora e afoga, um corpo egoísta, monstruoso, que nega a existência dos outros corpos, que fala apenas de si próprio”. Quando Molière escreveu O Doente imaginário sabia que estava gravemente doente. Interpretava Argão (um falso doente de uma vitalidade incrível) e disfarçava com esgares risíveis a dor das suas convulsões, quando sucumbiu ao quarto dia de apresentações – é com a sua própria doença e com a morte que o autor brinca e nos faz rir. A morte está sempre a entrar em cena: rimo-nos da falsa morte de Luisinha para escapar ao castigo, das juras de suicídio de Angélica e Cleanto se forem separados e da hilariante tramoia de Tonieta, aconselhando Argão a fingir-se de morto para conhecer os verdadeiros sentimentos da mulher e da filha. Mas, na verdade, esta é uma comédia sombria que assenta numa lúcida reflexão sobre o medo da morte – e é nessa verdade mais profunda que nos queremos ancorar. É a tragédia e não a comédia que nos interessa revelar… para, enfim, nos rirmos, como Molière, das estúpidas permanências do comportamento humano.”

Ensemble – Sociedade de Actores

de Molière
tradução Alexandra Moreira da Silva
encenação Rogério de Carvalho
com António Durães, António Parra, Clara Nogueira, Emília Silvestre, Fernando Moreira, Ivo Luz, João Castro, Jorge Pinto, Marta Dias, Miguel Eloy e Vânia Mendes

cenografia Pedro Tudela
figurinos Bernardo Monteiro
desenho de luz Jorge Ribeiro
música Ricardo Pinto
coprodução Ensemble – Sociedade de Actores, TNSJ
M/12

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