A ROSA DO PRINCIPEZINHO , DE SAINT-EXUPÉRY – por Clara Castilho

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Antoine de Saint-Exupéry, escritor e piloto francês (1900-1944), autor de livros como este, Le petit prince, O Principezinho, e Vol de nuit, Voo Nocturno. Uma sensibilidade que lhe permitia entrar no universo infantil e uma consciência da realidade do seu tempo que o levou a estar nos palcos onde se representava a tragédia de uma humanidade mergulhada no terror da guerra. Morreu aos comandos do seu avião de transporte de correio quando sobrevoava o Mediterrâneo. O piloto alemão que o abateu, ao saber quem tinha morto, lamentou sinceramente o seu acto.

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”

 “O Principezinho”é um livro que à primeira vista se pensa destinado ao público infantil. No entanto, pela sua simbologia e lições que parece pretender dar são mais os adultos que nele se vêm revistos. Aparece nítida a crítica à “gente crescida” que não consegue ver o importante como verdadeiro, mas somente aquilo que é bom materialmente.

 Foi publicado em 1943, traduzido para quase meia centena de línguas, das quais se inclui o Latim. O narrador da obra é um piloto que é forçado a aterrar de emergência no deserto, onde encontra um rapazinho, que se revela ser um príncipe de outro planeta. O principezinho conta-lhe as suas aventuras na Terra e fala-lhe da preciosa rosa que possui no seu astro natal. Acaba, no entanto por ficar desiludido ao saber que as rosas são bastante comuns na terra e é aconselhado, por uma raposa do deserto, a continuar a amar a sua rosa rara.

 “Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e não encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa.”

 O principezinho acaba por regressar ao seu próprio planeta. Mas daqui leva um sentido para a sua vida.

“Foi o tempo que investiste em tua rosa que fez tua rosa tão importante”

 Um dos assuntos que tem sido muito questionado é qual o significado desta “rosa”. “A rosa do Principezinho é ela (Consuleo, sua esposa), e o livro é uma confissão de que os seus destinos estavam irrevogavelmente ligados pelas dores e alegrias partilhadas. Em todas as suas obras Saint-Exúpery inspira-se fortemente em sensações experimentadas na sua infância para se proteger de acessos depressivos ou conjurar o inexplicável. Em o Principezinho foi ainda mais longe e deixou a voz da inocência exprimir os seus sentimentos”. É esta a opinião de Paul Webster em “Saint-Expéry – vida e morte do Principezinho”( Editorial Bizâncio, Lisboa 2000).

 Em 2000, houve publicação de um livro de Consuelo de Saint-Exupéry: “Memórias da Rosa” (Ed. Bom Texto. 2000. 1ª edição), em que ela conta como foi sua vida com ele, o casamento conturbado, repleto de ausências, ciúmes e infidelidades de ambas as partes.

 Lewis Galantière, que também traduziu Jean Cocteau, Paul Valery e Francçois Mauriac, e que com ele conviveu em Nova York, considerava que Saint-Exupéry nunca escrevia sem dor, destruindo mais texto do que guardava. Foi desta dor que recebemos as suas obras.

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