POESIA AO AMANHECER – 173 – por Manuel Simões

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ALEXANDRE HERCULANO

(1810 – 1877)

TRISTEZAS DO DESTERRO (fragmento)

Terra cara da pátria, eu te hei saudado

dentre as dores do exílio. Pelas ondas

do irrequieto mar mandei-te o choro

da saudade longínqua. Sobre as águas,

que de Albion nas ribas escabrosas

vem marulhando branquear de espuma

a negra rocha em promontório erguido,

donde o insulano audaz contempla o imenso

império seu, o abismo, aos olhos turvos

não sentida uma lágrima fugiu-me,

e devorou-a o mar. A vaga incerta,

que rola livre, peregrina eterna,

mais que os homens piedosa, irá depô-la,

minha terra natal, nas praias tuas.

Essa lágrima aceita: é quanto pode

do desterro enviar-te um pobre filho.

Figura talvez mais representativa do primeiro Romantismo português, a sua obra estende-se da poesia ao romance, da história ao jornalismo. A poesia aparece-nos na primeira fase da sua produção literária e conheceu a 1ª edição com “A Harpa do Crente” (1838), revista até à 3ª e última edição em vida das “Poesias” (1872). Em 1831 conheceu Herculano o exílio (Inglaterra e França) por ter estado implicado na conspiração contra o miguelismo.

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