* Transcrito, com autorização expressa do autor, da edição 87, 12 Abril 2013, do jornal FRATERNIZAR
A vingança do Estado ao chumbo do OE será feroz
Como se previa, uma boa parte da Lei do OE acaba de ser chumbada pelo Tribunal Constitucional (TC). Com efeitos imediatos e retroactivos a 1 de Janeiro de 2013. O Presidente Aníbal publicou-a, embora tivesse dúvidas sobre a constitucionalidade de algumas das suas medidas. Tanto assim que, depois de assinar e fazer publicar a lei do OE, pediu ao TC que dissesse da sua justiça sobre essas suas dúvidas. A este crime político do Presidente, somam-se mais dois outros crimes políticos, cometidos imediatamente antes do dele: o do Governo que, pelo segundo ano consecutivo, elaborou um OE contra a letra e o espírito da Constituição; e o da maioria política parlamentar CDS/PP de PauloPortas-PSD/PPD de PassosCoelho, que apoia o Governo no Parlamento e, embora engolisse sapos vivos, aprovou a lei do OE manifestamente inconstitucional (ai se esses mesmos deputados fossem da Oposição, o que de cobras e lagartos, não teriam dito, durante o debate e nos seus enfadonhos comentários em canais de tv!!!).
Com estes três crimes políticos, todos completamente impunes, cujas consequências perfazem uma tragédia nacional, no presente e no próximo futuro, o País de cerca de 10 milhões de cidadãos, continua, como se nada de errado e de criminoso tivesse sucedido, à mercê desta pseudo elite presidencial, parlamentar e governativa de todo incompetente, arrogante, meros fantoches de um teatro dos ditos, manipulados por outra minoria, a do Dinheiro europeu e mundial, materializados pela Troika da nossa humilhação e da nossa miséria. Bem se pode dizer, sem faltar à verdade, que somos, neste momento, um País com séculos de história, mas com um Estado falido. Um Estado que tem mais olhos que barriga e mete-se em luxos e em aventuras eleitoralistas, que as populações, depois, são obrigadas a ter de pagar, nem que seja com a perda das próprias vidas.
Contudo, nem a reposição da constitucionalidade do OE, exigida pelo TC, sem possibilidade de recurso a outra qualquer instância, salva as populações da humilhação e da miséria, porventura, até, da morte antes de tempo. A decisão, objectivamente positiva, chega tarde demais e, com o tipo de elite presidencial, parlamentar e governativa que, em bloco, faz questão de permanecer à frente do Estado, a vingança sobre as populações será ainda mais cruel. Ou esta elite, toda CDS/PP de PauloPortas-PSD/PPD de PassosCoelho, não seja uma elite politicamente incompetente, impreparada, odienta, colonialista, inimiga da liberdade dos povos, vingativa. E, como não se pode vingar nos juízes do TC, destilará, enquanto durar o seu mandato, todo seu ódio político e toda a sua vingança política sobre as populações, o elo mais fraco, em todo este pesadelo de morte antes de tempo, que é o nosso País em 2012-2013-2014-2015 e uns quantos anos mais.
Desengane-se, porém, quem, nestas circunstâncias, pensa que a saída deste pesadelo de morte, pelo menos, para grande parte das populações, nesta altura, já proletarizadas ou, mesmo, subproletarizadas, passa pelos partidos parlamentares que integram o Estado, mas no cada vez mais desprestigiado estatuto de Oposição. Os seus deputados de serviço, com regalias e mordomias iguais às dos deputados da maioria política que apoia o Governo, pensam e apregoam a toda a hora que sim. São demagogos q. b. em fratricida luta pela conquista do Poder. Não suportam integrar por mais tempo o Poder político, no estatuto de Oposição. Querem, a todo o custo, ter o Poder político de legislar, de governar e de representar o Estado fora de portas. Por outras palavras, querem ocupar o lugar que, há pouco mais de dois anos, é ocupado pela pseudo elite política, dirigida por PauloPortas e PassosCoelho.
À distância, a saída deste pesadelo de morte em que o País se vê caído, está na abolição do Estado. O que só acontecerá, quando as populações se decidirem a crescer de dentro para fora, ao ponto de assumirem nas próprias mãos os seus destinos, os destinos do País e do planeta, sem nunca mais necessitarem de recorrer a intermediários, em cujas mãos têm sucessivamente delegado o melhor delas próprias, concretamente, a liberdade/autoridade de decidir e de conduzir as suas próprias vidas. Aliàs, nunca esse bendito Hoje sócio-político chegará, enquanto as chamadas elites mais escolarizadas e mais habilitadas não se converterem em outras tantas parteiras políticas das populações, numa ligação com elas ao modo dos vasos comunicantes, por isso, feita por baixo, a partir dos últimos da base, nunca por cima, a partir das cúpulas. Porque, a partir das cúpulas, está mais do que provado pela história que os saudados como libertadores das populações, hoje, são os seus novos opressores, amanhã.
Por isso, seremos politicamente inteligentes, se, em vez de corrermos a exigir do Estado, neste momento, todo nas mãos da elite política CDS/PP-PSD/PPD, eleições antecipadas, corrermos a trabalhar politicamente com as populações, ao modo da parteira, para que elas abram, progressivamente, os olhos da mente, desenvolvam a sua consciência crítica e a sua capacidade de resistência a todo o tipo de publicidade enganosa, também a publicidade política partidária de direita e de esquerda, e sejam cada vez mais donas dos seu próprios destinos, dos destinos do País e do planeta. Neste último caso, em ininterrupta ligação/comunhão com as populações de todas as nações da Europa e do resto do mundo.

Meu caro Mário: Te saúdo uma vez mais por esta clarividente lição que os intelectuóides da nossa praça se recusam a aprender e a pôr em prátca como forma de iniciar o processo de correr com a canalha de políticos profissionmais que desde há demasiado tempo submetem este Povo à condição de semi – escravatura em que se encontra….
Ouvindo -te quero crer que nem tudo está podre neste reino sem rei, onde os barões se banqueteiam à custa dos que trabalhando vivem na miséria, enquanto outros que sem trabalho sofrem fome de tudo
sobretudo de consciência que lhes permita saber o porquê deste seu mal-viver…
Que a tua voz seja como a do Arauto que anuncia novos tempos!….
Até sempre, Mário!
heitor
Pseudo-elites, serão, mas a função cumprem-na como se fossem verdadeiras elites: Mandam como autênticos ditadores, conduzem-se como reis do mambo e discursam como popes mais papistas que o Papa. Não sei aonde levará isto tudo, mas se levasse à rebelião não era tempo perdido. Abraços da Galiza.