O ACORDO ORTOGRÁFICO – 13

Em 5 de Janeiro de 2011 anunciámos um debate no Goethe Institut, a realizar no dia 9 sob o título

O mal-estar com o Acordo Ortográfico – conversa com Maria Alzira Seixo, Rui Zink e Vasco Graça Moura, moderada por Teresa Salema.

As dúvidas persistem e avolumam-se quanto ao AO de   1990: enquanto alguns reclamam uma alegada facilidade fonética e defendem uma   necessária evolução da língua, outr…os sustentam que a plasticidade e   história da língua, como organismo vivo em constante auto-criação, não pode   erradicar levianamente o que a une às origens latinas. Por outro lado, a   ausência de ratificação pela maioria dos países lusófonos e as diferenças   gramaticais que persistem com as outras variantes do português põem em causa   a eficácia de uma reforma que pode revelar-se uma porta aberta a todos os   atropelos e arbitrariedades, desembocando numa perda estrutural de identidade   linguística que, afastando-nos da Europa sem com isso nos aproximar mais do   Brasil, poderão causar uma segunda jangada de pedra, muito mais reduzida…   Estarão no debate conhecidos apoiantes e críticos do AO.

Segue-se um vídeo do debate e um texto de cconclusões:

A sessão teve uma dinâmica que só o entusiasmo e a raiva e a vontade de defender a pele da língua que é nossa, uma forma de energia viva e não de ergon que se funcionaliza, comercializa, retalha e manipula, podem dar. A biblioteca do GI estava cheia, nem havia cadeiras para todos aqueles que se preocupam com os livros que lêem, com o que os filhos aprendem nas escolas, com os letreiros (mal) escritos nas ruas, com revistas e jornais que soam de forma estranha. Trata-se, nem mais nem menos da modulação de uma língua em vias de quebrar amarras com as suas congéneres europeias para embarcar em falácias e quimeras de uma pretensa unificação lusófona, quando todos sabemos que o sabor e o encanto da diversidade é aquilo que nos mantém curiosos e vivos face à comunidade falante de um português. Esse sim que incorpora palavras e neologismos mas não corta letras para que ingleses, franceses, alemães, suecos e noruegueses cultos (entre outros europeus) continuem a poder ler traços gerais nas nossas publicações graças à corrente etimológica indoeuropeia comum. De raiz ST – estável, estaca.

O PEN não pode deixar de defender a liberdade de expressão nem de abrigar sócios que pensem e escrevam de forma diferente. Mas o desafio da conflitualidade democrática obriga-nos a apresentar os melhores argumentos que tivermos e sobretudo a buscar plataformas onde possamos entender-nos, mesmo na dissonância. E obriga-nos, também por isso, a prosseguir com os debates.
 
Um obrigada daqui à Maria Alzira Seixo, ao Rui Zink e ao Vasco Graça Moura por se terem disponibilizado para esta primeira ronda!
(Teresa Salema)

1 Comment

  1. Lembramos o que dissemos no Editorial de 2 de Abril sobre a forma como queríamos que decorresse o debate sobre o Acordo Ortográfico -«O blogue no seu conjunto não tem opinião e recusa-se a ser bastião de quem defende ou de quem recusa o AO. Nessa medida, a filtragem de comentários será rigorosa – não permitiremos abusos de linguagem – as ideias rebatem-se com ideias e não com adjectivos ou expressões menos correctas. O respeito por quem não pensa como nós é condição sine qua non para se estar em A Viagem dos Argonautas».

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