POESIA AO AMANHECER – 180 – por Manuel Simões

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ANTERO DE QUENTAL

(1842 – 1891)

A UM POETA

“Surge et ambula”

Tu que dormes, espírito sereno,

posto à sombra dos cedros seculares,

como um levita à sombra dos altares,

longe da luta e do fragor terreno,

Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno,

afugentou as larvas tumulares…

Para surgir do seio desses mares,

um mundo novo espera só um aceno…

Escuta! é a grande voz das multidões!

São teus irmãos que se erguem! são canções…

mas de guerra… e são vozes de rebate!

Ergue-te, pois, soldado do Futuro,

e dos raios de luz do sonho puro,

sonhador, faze espada de combate.

(de “Sonetos Completos”)

A obra poética do Autor reparte-se por “Raios de extinta Luz” (1859-1863), “Primaveras Românticas” (1863-1865), “Odes Modernas” (1865-1871), “Sonetos Completos” (1860-1884). Se com “Odes Modernas”, Antero atinge o clímax da sua poesia revolucionária, feita de certezas e confiança no destino do Homem, noutros lugares são as dúvidas a ensombrar o espírito do Poeta.

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