POESIA AO AMANHECER – 181 – por Manuel Simões

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TEÓFILO BRAGA

(1843 – 1924)

A DOR DO LEITE (FRAGMENTO)

Como era triste o vê-la! a mãe aflita

Junto à praia do mar.

Pobre negra, ululando, à nau da Europa

Dolorosa a acenar!

Roubaram-lhe o seu filho! ao seio ainda

o trazia, arrancaram-no do peito

O seu amor!

Roubaram-lho! enlouquece, delirante

na rocha solitária a ver se o via

Se vai pôr!

(…)

Longo tempo gemeu! por fim cansada

sumiu-se n’água; ai n’água que mistérios

Há também!

Descia a noite negra, escondeu tudo;

assim na branda vaga ela se esconde,

Pobre mãe!

(de “A Visão dos Tempos”)

Mais conhecido como ensaísta (historiador da literatura portuguesa) e político, publicou muito jovem o livro de poemas “Folhas Verdes” (1860) e, mais tarde, o volume “A Visão dos Tempos. Epopeia da Humanidade” (1894-1895), de clara inspiração nas ideias sociais chegadas da França, designadamente de Victor Hugo. É conhecido o seu interesse pelo estudo e fixação do “Romanceiro Popular Português”.

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